Stefan Wermuth|Reuters
Uniforme usado por Serena Williams nos Jogos de Londres, em 2012 Stefan Wermuth|Reuters

O avanço das vestes olímpicas na história: do nu ao reciclado

Promessa é de que os uniformes serão um aliado nos Jogos do Rio

Alessandro Lucchetti, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2016 | 05h00

Um dos aspectos mais fascinantes na evolução dos Jogos Olímpicos, desde a Antiguidade até a contemporaneidade, é a modernização dos trajes esportivos. Vamos mergulhar, sem os antiquados maiôs dos tempos de Johnny Weismuller – o norte-americano campeão olímpico que interpretou Tarzan no cinema – nessa história. Os trajes não dificultavam o desempenho esportivo na versão da Antiguidade dos Jogos, na Grécia. Aliás, eles não existiam. As antigas Olimpíadas eram voltadas exclusivamente para os homens, no atletismo e nos esportes de combate. Historiadores acreditavam que a ausência das mulheres estava ligada justamente ao fato de os atletas competirem nus.

A antiga palavra grega para exercitar-se significava "ser inflexível pelado". A nudez se explica pela finalidade dos Jogos, uma homenagem a Zeus. Os cavaleiros e condutores de carruagens usavam roupas, mas eram considerados empregados, e não donos dos cavalos. Esses proprietários, mesmo sem competir, recebiam as coroas de louros reservadas aos vencedores.

O tênis feminino foi introduzido na programação olímpica logo na segunda edição da era moderna, em Paris-1900. A etiqueta da modalidade era seguida à risca – as mulheres usavam vestidos longos. O tênis foi mantido nos Jogos até a edição de 1924, também na capital francesa. Depois foi excluído e só retornou em 1968, já com trajes mais aproximados aos utilizados hoje em dia – mulheres com saias na altura dos joelhos, homens com calções e camisetas de tecido.

No atletismo, nos anos 20, as camisas eram de algodão, que se tornavam pesadas com a chuva ou suor. As sapatilhas eram de couro, com pregos. Já em 1925, o fundador da adidas, Adi Dassler, patenteava uma sapatilha para atletismo. A parte superior era confeccionada em pele de cabra, com palmilha de cromo e a sola de couro vegetal. Hoje, a Nike alardeia que desenvolveu o traje mais rápido da história do atletismo, dotada das tecnologias "AeroSwift" e "AeroBlades". A primeira se baseia na leveza sem par, segundo o marketing da marca, do tecido de poliéster reciclado. A segunda, desenvolvida em túneis de vento, se propõe a reduzir o atrito com o ar e melhorar sua circulação em torno do atleta.

CONTRAMÃO

A evolução tecnológica na natação, se observada a necessidade de manter a disputa justa, foi uma involução ética. Os trajes de materiais não têxteis eram distribuídos pelas marcas líderes nesse desenvolvimento aos nadadores mais afamados. Os competidores que não tinham tanto cartaz desesperavam-se na fila, e nem sempre o fabricante lhes oferecia a versão mais evoluída dos trajes, os chamados supermaiôs, o que os derrubava psicologicamente. Mesmo após o banimento dos não têxteis, a busca por trajes modernos ainda angustia nadadores.

Técnico de natação, Alexandre Pussieldi, destaca a importância de estar "em dia" com a tecnologia disponível. "Os trajes já fizeram muita diferença. Agora é pouco, mas vale para a cabeça. Atleta não fica sem." Por esse motivo, os nadadores do Pinheiros celebram a parceria do clube com a adidas, fabricante da cobiçada bermuda de compressão adizero, que teria a propriedade de reduzir os efeitos da fadiga muscular.

No basquete, os veteranos não se cansam de invejar os tênis de hoje, com sistema de amortecimento capaz de reduzir o impacto dos saltos sobre músculos e ossos. "E pensar que jogávamos com aqueles All Star de cano alto, sem amortecimento algum", recorda Marcel de Souza, que disputou os Jogos de Moscou-1980, Los Angeles-1984, Seul-1988 e Barcelona-1992. Além dos tênis, há também uma evolução dos uniformes. Os shorts curtos cederam espaço para as bermudas. As camisetas são tecnológicas, mais leves, e absorvem o suor. Os atletas têm ainda diversos adereços em tecido sintético para braços e pernas que ajudam na performance.

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