Zainal Abd Halil
Zainal Abd Halil

O trauma e as superstições de Virna

Atacante não assistiu ainda Brasil x Cuba, que antecedeu a primeira medalha do vôlei feminino em Olimpíada

Alessandro da Mata, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2016 | 05h09

Virna tem  um trauma dos Jogos. Ela  participou da conquista da primeira medalha do vôlei feminino brasileiro em Olimpíada. Mas  ainda não superou o episódio Brasil x   Cuba, de  Atlanta, nos Estados Unidos, em 1996. 

“Ganhamos o bronze, mas só tivemos a noção da importância  dele ao chegar no País.  E até hoje eu não assisti o vídeo da derrota na semifinal para as nossas maiores rivais. Meu marido pôs outro dia no Youtube, mas me dá muita angústia”, destaca a atacante aposentada, integrante da seleção nacional por mais de uma década.

Virna tinha convicção de que,  ao passar por Cuba,  subiria ao ponto mais alto do pódio. O Brasil  começou melhor. Mas perdeu por 3 a 2. As atletas entraram em  briga corporal.

“Os brasileiros me conhecem por aquele jogo contra Cuba, quando brigamos dentro e fora da quadra. Perdemos por conta da força física. Era um time imbatível. Não dormimos. Parecia que tinha falecido um parente”, afirma Virna.

O bronze veio com os 3 sets a 2 sobre a Rússia, obtido praticamente pelas reservas,  depois de um chacoalhão de Oscar, do basquete, com quem elas cruzaram por acaso na Vila Olímpica, às vésperas da partida. 

Em  Atlanta, Virna apelou  para a superstição: “Quando o a seleção brasileira ganhava, eu usava a mesma camisa, elástico de cabelo e até roupa íntima. Lavava, secava e usava no jogo seguinte. A Olimpíada é incrível. Daria tudo para jogar  de novo”, diz a atual comentarista esportiva. 

 

Virna lembra de outros costumes diferentes na  Olimpíada, sem receio de um diagnóstico precoce de  Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

“Antes do jogo, eu colocava uma fita cassete de escola de samba no walkman. Ouvia no talo. Aquilo dava energia para eu me acalmar", ela conta.

Virna  recorda do pedido da camisa 10: "Era  homenagem ao Zico. Meu filho nasceu em 10, do 10 de 2010. Fico somando qualquer coisa para ver se dá 10", explica a torcedora do Flamengo, que  ganhou também bronze em Sydney, na Austrália, em 2000, e  participou  em Atenas, na Grécia, em 2004.

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