Olimpíada é chance para defender direitos, diz Dalai Lama

Líder espiritual tibetano reforça crítica ao governo chinês ao comentar novamente a realização do evento

Krittivas Mukherjee, Reuters

27 de março de 2008 | 10h20

O Dalai Lama considera a Olimpíada deste ano em Pequim como uma oportunidade para que o mundo chame a atenção da China para a situação de seus direitos humanos, mas insistiu que apóia a realização dos Jogos. "A fim de ser uma boa anfitriã dos Jogos Olímpicos, a China deve melhorar seu histórico no campo dos direitos humanos e da liberdade religiosa. Isso é muito lógico, muito razoável", disse o líder espiritual tibetano em entrevista transmitida na sexta-feira pelo canal NDTV, da Índia, onde ele vive exilado. Violentos protestos neste mês no Tibete ofuscaram os preparativos para a Olimpíada e trouxeram novamente ao noticiário a questão dos direitos humanos naquela região do Himalaia. Na França, em Taiwan e em outros lugares, dirigentes políticos e ONGs cogitaram um boicote à Olimpíada. O governo tibetano no exílio, que funciona na cidade indiana de Dharamsala, estima que 140 pessoas tenham morrido na repressão aos protestos. A China diz que 19 pessoas foram mortas por arruaceiros tibetanos. Pequim atribui a violência ao Dalai Lama, a quem acusa de tentar sabotar a Olimpíada. O Dalai Lama nega o envolvimento e ameaça renunciar ao comando do governo no exílio caso a violência se agrave. "Desde o começo há algumas ONGs, alguns indivíduos que manifestaram sua preocupação", disse ele, pedindo mais empenho do mundo pela causa tibetana. "Então a comunidade mundial, inclusive nós, tibetanos, acha que os chineses precisam ser lembrados sobre seu histórico de direitos humanos, liberdade religiosa e o caso do Tibet." A primeira etapa da viagem da tocha olímpica, iniciada nesta semana na Grécia, já foi marcada por protestos pró-Tibet. Há muitos protestos na Índia, e no fim de semana uma multidão tentou invadir a embaixada chinesa em Nova Délhi. Mas o governo indiano tenta tranquilizar Pequim quanto à passagem da tocha pelo país. "Vamos fornecer todos os arranjos possíveis para garantir que a tocha olímpica viaje pacificamente pela Índia", disse o assessor de Segurança Nacional M.K. Narayanan a jornalistas na quarta-feira.

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