ONGs pedem liberdade de expressão aos atletas em Pequim

Entidades querem que comitês assumam o compromisso de não censurar os competidores durante os Jogos

Efe,

20 de fevereiro de 2008 | 09h54

As organizações Repórteres Sem Fronteiras (RSF) e Article 19 pediram aos comitês olímpicos nacionais e europeus que se comprometam a não restringir a liberdade de expressão dos atletas durante os Jogos de Pequim, em agosto. "A Carta Olímpica é precisa o suficiente para que os comitês olímpicos nacionais não acrescentem novas proibições", afirmaram as organizações, defensoras da liberdade de imprensa e de expressão, em comunicado. A RSF e a Article 19 escreveram a todos os presidentes das representações olímpicas nacionais da Europa e ao irlandês Patrick Joseph Hickey, à frente do Comitê Europeu, na véspera de sua reunião em Lausanne, na Suíça. Nas mensagens, as duas organizações pedem que os comitês afirmem "sem ambigüidade" que a liberdade de declarações não sofre restrições pelo artigo 51 da Carta Olímpica, que proíbe a propaganda racial, religiosa ou política nos recintos olímpicos. "Os atletas não devem ser privados do direito de responder às perguntas da imprensa ou de fazer comentários sobre a situação dos direitos humanos na China ou em qualquer outro país", afirmam. Eles lembram que o artigo 51 não proíbe os atletas de terem uma postura sobre os direitos humanos. "Impedir os atletas de falar sobre as violações dos direitos humanos é contrário à sua liberdade de expressão e vai contra os princípios da Carta Olímpica. Também contradiz o espírito dos Jogos Olímpicos e equivale a apoiar as violações dos direitos humanos, particularmente na China", afirma a nota. As duas organizações temem que o movimento olímpico seja "incapaz" de conseguir que o Governo chinês respeite seus compromissos. Em 2001, na cidade russa de Moscou, as autoridades chinesas prometeram melhorar as condições dos direitos humanos e uma liberdade de imprensa total. Porém, sete anos depois, cerca de cem defensores da liberdade de expressão estão presos na China. Há poucas semanas, o dissidente Hu Jia foi detido por ter falado sobre os direitos humanos antes dos Jogos Olímpicos. Após denunciar que o Comitê Olímpico Internacional (COI) permanece "dramaticamente silencioso" sobre estes temas, as organizações pedem aos comitês europeus que se comportem de forma diferente e sejam "fiadores dos valores humanistas na Carta Olímpica". "Não é muito tarde para obter dos organizadores dos Jogos de Pequim libertações de prisioneiros de consciência e o fim da censura", afirmam a RSF e a Article 19.

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