ONU critica China por deportações por causa da Olimpíada

Governo estaria aproveitando o evento para tirar pessoas do país sob a alegação de manutenção de segurança

Jamil Chade, Correspondente - O Estado de S. Paulo

08 de abril de 2008 | 12h27

Os Jogos Olímpicos de Pequim sofrem mais um ataque. Desta vez, nada mais nada menos que da ONU. Nesta terça-feira, a entidade criticou a deportação de refugiados pela polícia da China e alertou que medidas de segurança para as Olimpíadas não podem significar uma violações dos direitos humanos desses refugiados. Veja também: Porta-voz do COI não garante que tocha seguirá percurso São Francisco recebe a tocha e estuda mudanças por seguranças Entenda o conflito entre Tibete e China O trajeto completo do revezamento da tocha pelo mundoSegundo o Alto Comissariado da ONU para Refugiados, 15 refugiados foram deportados pelos chineses apenas neste ano em ações supostamente para manter a segurança antes dos Jogos Olímpicos. O caso mais recente foi de um garoto de 17 anos do Paquistão que foi retirado de sua casa em Pequim no último dia 3 e reenviado ao seu país de origem. A deportação teria ocorrido mesmo diante do reconhecimento de que o garoto gozava do status de refugiado. Jennifer Pagonis, porta-voz da ONU para os temas relacionados aos refugiados, os demais foram enviados ao Iraque e Sri Lanka. "Tudo indica que essas deportações estão ocorrendo por causa das medidas de segurança antes das Olimpíadas. Isso é profundamente preocupante que esteja ocorrendo", afirmou a porta-voz. Segundo ela, a China assinou os acordos da ONU que garantem os direitos dos refugiados e impede que essas pessoas sejam mandadas de volta a seus países à força, como tem feito Pequim. "Sempre nos preocupamos quando um refugiado é enviado de volta a seu país. Isso não deveria ocorrer", alertou Pagonis. O status de refugiado é dado exatamente para garantir que alguem que esteja sendo ameaçado em seu país não seja obrigado a retornar para seu local de origem, onde correria risco de vida A ONU confirma que enviou uma carta oficial ao governo da China para saber o motivo da deportação do paquistanês. Até agora Pequim não deu uma resposta. A onda de deportações está gerando preocupações crescentes entre os refugiados que atualmente vivem em Pequim. "Muitos estão se sentindo intimidados", afirmou a ONU.  

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