Frank Franklin II
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'Os quases' do Brasil nos Jogos de Tóquio renovam no torcedor e nos atletas a esperança para Paris

Time Brasil fez bonito na Olímpiada do Japão e poderia ter feito mais não fossem algumas 'bolas na trave' em modalidades que precisam se acertar e continuar competitivas

Robson Morelli, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2021 | 11h35

Os 'quases' dos atletas olímpicos do Brasil dão ao torcedor a certeza de que o país poderia ter conquistado mais. Nos Jogos Olímpicos de Tóquio, o Time Brasil já bateu recordes e entrou para a história com sua melhora marca em pódios, 21 ao todo, com mais mulheres também sendo premiadas e isso é importante. Faltou um ouro que poderia dar ao país sua melhor marca em todos os quesitos. Foi ainda o 12ª colocado no quadro de medalhas, uma posição acima do que tinha sido no Rio, cinco anos atrás, dentre 206 países credenciados. Mas aquela sensação de que o Brasil poderia te ido mais longe sempre fica. Não é uma sensação negativa, diga-se. É a bola na trave mesmo. Ela nos empurra para avançar. Faltam 1083 dias para os Jogos de Paris.

Esse é o sentimento com o encerramento dos Jogos neste domingo. Os 'quases' nos fazem acreditar na próxima edição, confirmada para Paris, em 2024. São três anos de mais investimento, mais preparação e mais confiança. Boa parte dos atletas brasileiros tem idade para voltar à Olimpíada. Duas modalidades debutantes no Japão, e que 'pegaram', podem dar uma pitada desta certeza. O surfe e o skate deram medalhas ao Brasil (um ouro e três pratas), mas também renovaram a esperança para novas conquistas. Teve gente boa também sem pódio.

Rayssa Leal, por exemplo, tem 13 anos. Terá 16 em Paris. E assim por diante. São competidores de talento e que não vão perder essa condição nas próximas temporadas. Certamente pegaram gosto pela competição. Italo Ferreira e Gabriel Medina continuarão dominando o circuito de surfe profissional. Pensam em Paris. E assim deverá ser com outros atletas da modalidade que não se credenciaram. Vem briga boa aí.

Há muito mais nesse desafio nos próximos três anos. Ele passa ainda pela renovação do vôlei masculino, competitivo, mas que nada levou em Tóquio. Sim, foi uma modalidade brasileira que bateu na trave, ficou no 'quase'. Assim como as duplas de vôlei de praia, sem conquista nesta edição, fato raro na história do esporte. Haverá reformulação e um olhar especial do Comitê Olímpico do Brasil para esta modalidade. Alguma medalha era esperada do vôlei de praia.

O eterno desafio no Brasil é movimentar e deixar o futebol feminino competitivo. Sem Marta, possivelmente, o time vai precisar correr mais, fazer uma transição de gerações que já começou pelas mãos da técnica Pia Sundhage. Mais torneios, mais base, mais mídia e mais investimento dos clubes, de patrocinadores e da CBF. A modalidade poderia ter ido mais longe em Tóquio. Parou diante do Canadá nos pênaltis. Quase deu. O time canadense acabou ficando com o ouro. Um pequeno acerto poderá levar o futebol feminino brasileiro mais longe em Paris.

Judô e natação sempre foram os carros-chefes do Brasil na conquista de medalhas, ao lado do vôlei. Fizeram bonito na Olimpíada de Tóquio. Podem avançar ainda mais em três anos. Alguns atletas estão se despedindo do Time Brasil e outros precisam ser formados. Treinar fora do país, em torneios mais fortes do que os sul-americanos, é o caminho para esses atletas, a exemplo do que fez o velocista Bruno Fratus, medalha de bronze nos 50m livre.

Fratus foi para os Estados Unidos para melhorar e se aprimorar depois de bater na trave duas vezes. Não queria mais ficar no 'quase' em uma Olimpíada. O COB sabe dessa necessidade e foca o próximo ciclo nesse sentido. Quer ganahr mais e ficar menos nos 'quases'. Pan-Americanos e torneios menores não ajudam muito o Brasil a ter noção de sua condição. É preciso puxar esses competidores para cima.

Alison do Santos fez história na prova dos 400m com barreiras. Ficou com o bronze, festejou e ajudou o atletismo nesta edição dos Jogos. É visível que a modalidade precisa de mais e mais. Precisa encontrar um caminho para chegar em finais e ter melhores resultados. Há um caminho interessante para crescer. É possível. Há bons competidores que talvez ainda não tenham encontrado uma condição condizente. É preciso olhar para o atletismo com mais carinho.

Da mesma forma, Rebeca Andrade (ouro e prata) faz os brasileiros acreditar um pouco mais na ginástica artística, que quase sempre fica pelo caminho e sempre dá a sensação de que poderia mais. Zenetti é ótimo, mas já tem 31 e talvez não esteja em Paris. Arthur Nory tem uma conta para acertar com ele mesmo. É excelente. Só precisa acreditar. Outros devem vir para o próximo ciclo. Há talentos por aí, ainda perdidos. O Brasil só precisa descobri-los e formá-los para novas Olimpíadas e tirar o 'quase' do seu enredo.

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