Ouro perdido por nervosismo de atirador foi o momento patético

Jacques Rogge, presidente do ComitêOlímpico Internacional (COI), apontou, neste domingo, a atitudedo atirador norte-americano Matt Emmons como o mais patéticomomento dos Jogos de Pequim. Emmons perdeu a medalha de ouro na prova final quando, pornervosismo, puxar o gatilho uma fração de segundo antes dopermitido. Foi um erro chocante, que relembrou sua derrota em 2004,quando perdeu o ouro no último tiro ao acertar no alvo errado. Rogge também lembrou da cena das atletas da Rússia e daGeórgia se abraçando no pódio -- enquanto seus países estavamem conflito -- como a personificação do espírito olímpico. Mas o que realmente mexeu com Rogge foi Emmons -- mesmo eleconfessando aos repórteres que não se lembrava do nome doatirador. "O que mais mexeu comigo foi a atitude daquele atiradornorte-americano", disse Rogge na entrevista coletiva deencerramento dos Jogos. Ele relembra como Emmons escolheu o alvo errado em Atenas eperdeu a chance da medalha de ouro no último momento. "Isso éalgo muito doloroso", disse Rogge. Emmons pode ter perdido o alvo em Atenas, mas encontrou oamor. A atiradora tcheca Katerina Kurkova foi consolá-lo e alinasceu um romance que dura até hoje. Sua mulher ganhou a primeira medalha de ouro nos Jogos dePequim. Rogge disse: "Eu os vi se abraçando. Foi um momentotocante." Mas o destino afetou Emmons mais uma vez. "Novamente na liderança e muito perto do ouro, ele pegousua carabina, colocou o dedo no gatilho e, por alguma razão, ogatilho disparou", disse Rogge. Rogge admira a resistência de Emmons e o admira, citandouma frase do atirador: "Foi uma grande falha. Assumo aresponsabilidade, mas vou voltar e vou ganhar o ouro." "Esse é o espírito dos Jogos Olímpicos. Os Jogos não sãofeitos só de vitórias, não só de triunfar. São feitos doesforço diário de cada atleta para ultrapassar seus limites,adquirindo resistência. Vamos esperar que ele volte."

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