Márcio Fernandes/Estadão
Márcio Fernandes/Estadão

Pan de Toronto será o 1º em 32 anos sem Hugo Hoyama como atleta

Referência no tênis de mesa, ele agora é técnico do time feminino

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

04 de julho de 2015 | 17h00

Em 1987, o piloto Ayrton Senna era apenas uma promessa, Nelson Piquet ganhava o tricampeonato na Fórmula 1, a União Soviética passava por reformas e era liderada por Mikhail Gorbachev e o computador mais moderno era o TK 3000 II, que tinha memória de até 1 MB. Esse foi o ano de estreia de Hugo Hoyama nos Jogos Pan-Americanos, em Indianápolis, nos Estados Unidos, e a partir dali ele escreveu sua história com 15 medalhas (dez ouros, uma prata e quatro bronzes). Pela primeira vez desde 1987, o melhor mesa-tenista da história do Brasil não representará o País como atleta. Mas ele estará lá, agora como técnico da seleção brasileira feminina. 

O novo posto dá ao ex-atleta a chance de continuar ajudando o esporte. Com o objetivo de impulsionar a evolução das meninas, Hugo estabeleceu os Jogos Pan-Americanos de Toronto como principal meta de sua equipe – formada por Lígia Silva, Caroline Kumahara e pela chinesa naturalizada brasileira Lin Gui – na temporada. No Canadá, o trio busca o ouro inédito.

Hoyama disse que o Pan teve um papel fundamental na consolidação de sua carreira e crê que o mesmo pode acontecer com as suas comandadas. “O Pan foi o primeiro passo para que eu pudesse realmente ter o reconhecimento dentro do esporte. A gente sabe que na Olimpíada o nível do tênis de mesa é muito diferente, mas não temos de desmerecer os Jogos Pan-Americanos.”

OLHO NO RIO 

Além da medalha por equipes, as brasileiras jogam de olho na vaga olímpica concedida à campeã. Hoyama avalia que os resultados até agora foram “excelentes”, e está confiante no desempenho das pupilas em Toronto. “Se elas continuarem com foco e concentração, a gente pode lutar por medalhas. A chance vai ser muito grande.”

O passar do tempo tem ajudado Hoyama a se acostumar com o posto de liderança. E suas atletas já têm notado algumas diferenças no relacionamento.

“No começo era complicado porque ele não conseguia entender a nossa dificuldade, mas hoje melhorou muito. Ele está mais tranquilo e me deixa mais calma porque confio bastante nele”, afirma Lin Gui.

Hoyama torce para que a dedicação que sempre teve em sua longeva carreira sirva de inspiração para as próximas gerações. “Participei de sete edições do Pan e fui trabalhado pra isso. Desde a primeira medalha de ouro até a última que conquistei, treinei da mesma forma e fui com os mesmos objetivos. Espero que tenha servido de exemplo para os atletas.”

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