Issei Kato/Reuters
Issei Kato/Reuters

Pandemia frustra planos de fabricantes de preservativos ultrafinos nos Jogos de Tóquio

Indústria japonesa esperava distribuir milhares dos produtos, mas evento não receberá estrangeiros por causa da pandemia da covid-19

AFP, O Estado de S. Paulo

17 de junho de 2021 | 09h46

Os Jogos Olímpicos de Tóquio foram vistos como uma oportunidade de ouro para os fabricantes japoneses de preservativos, que ansiavam por um fluxo excepcional de visitantes estrangeiros para os quais esperavam distribuir milhares de seus profiláticos ultrafinos inovadores.

Mas o entusiasmo das indústrias do setor se transformou em decepção por causa da pandemia do novo coronavírus e das drásticas restrições impostas durante o evento esportivo. O evento não poderá receber espectadores do exterior, por decisão dos organizadores. Além disso, seu projeto de mostrar ao mundo seus preservativos ultrafinos (0,01 mm), distribuindo-os aos atletas olímpicos, também ficou pelo caminho.

Em todas as edições olímpicas desde os Jogos de Seul, em 1988, preservativos são massivamente oferecidos aos atletas para promover a luta contra doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids. Embora os organizadores dos Jogos de Tóquio ainda esperem distribuir 160 mil preservativos, as regras de distanciamento do coronavírus serão um verdadeiro "assassino da paixão".

"Diante de um contexto de saúde ainda difícil, não consigo entender" por que essa distribuição gratuita de preservativos está sendo mantida", tweetou o alpinista japonês Ken Noguchi. "Os preservativos distribuídos não serão para uso na Vila Olímpica, mas para serem levados pelos atletas aos seus respectivos países após o término do evento", explicou à AFP a organização dos Jogos.

Os profiláticos ultrafinos feitos de poliuretano, uma inovação japonesa, serão excluídos desta operação em favor dos preservativos de látex tradicionais, de acordo com a associação da indústria japonesa de industriais. "Quando soube dessa demanda (pelo látex) pensei: 'O quê? Não pode ser verdade'", disse uma fonte do setor. "Nós realmente esperávamos estar em posição de oferecer os produtos ultrafinos", acrescentou outra fonte. Há alguns anos, o maior fabricante japonês de preservativos, Sagami Rubber Industries, aumentou muito sua capacidade de produção e abriu uma fábrica na Malásia para atender ao aumento previsto da demanda durante e após os Jogos.

Lojas sem turistas

Antes da pandemia, as lojas de preservativos Condomania, dos bairros de Harajuku e Shibuya da capital, eram populares entre os turistas estrangeiros. "Mas essa clientela praticamente desapareceu" com o fechamento das fronteiras japonesas para visitantes estrangeiros por mais de um ano, disse Negishi. Os preservativos Condomania foram concebidos como souvenirs, com motivos tradicionais ao fundo, como a Grande Onda de Hokusai e o Monte Fuji, mas "nada mais se vende", lamentou um comerciante.

A sua atividade também foi fragilizada pelo estado de emergência imposto para fazer face à crise da saúde, que consiste em convidar a população a limitar os seus movimentos. "Agora subsistimos graças aos nossos clientes regulares na vizinhança", acrescentou Negishi. Assim, os fabricantes japoneses de preservativos continuarão dependentes de seu mercado doméstico.

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