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Fabiana Beltrame tem participação em três Olimpíadas Reuters

FABIANA BELTRAME VÊ REMO COM CHANCES REMOTAS NA OLIMPÍADA

Campeã mundial diz que modalidade não vai brilhar em 2016

Ronald Lincoln Jr., O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2015 | 05h00

Durante o Pan de Toronto realizado em julho, o Brasil conquistou apenas uma medalha nas competições de remo, e a expectativa para a Olimpíada é ainda mais desanimadora, na opinião de Fabiana Beltrame. A atleta catarinense é o principal destaque da modalidade no País: campeã mundial em 2011, vencedora da primeira etapa da Copa do Mundo deste ano e dona da prata que impediu a seleção de voltar do Pan em jejum. Portanto, fala com conhecimento sobre a competição.

Fabiana admite que considera remota as chances de alcançar pódio em 2016. Sua especialidade é o skiff simples leve, categoria que não é olímpica. Para participar dos Jogos de Londres (2012), ela teve de se adaptar ao skiff duplo, mas, faltando um ano para a Olimpíada, ainda não conseguiu arranjar parceira, situação que faz com que cogite passar para o skiff pesado, em nova mudança de categoria.

A troca exigirá que Fabiana reformule o ritmo de treinamentos e dê início a um árduo trabalho para ganhar massa muscular. A decisão só deve ser tomada por ela e pelo técnico Júlio Soares no fim deste mês, após o término da próxima etapa da Copa do Mundo de remo. Por enquanto, ela prossegue com os treinamentos no skiff leve no espelho d’água da Lagoa Rodrigo de Freitas (zona sul do Rio), palco da disputa olímpica.

“Em um ano apenas não dá para reagir. Não é de uma hora para outra que o barco começa a andar”, explica Fabiana em entrevista ao Estado. “O remo é um esporte que exige preparação de longo prazo. São necessários, no mínimo, quatro anos de trabalho para ter resultados satisfatórios, para chegar a uma final ou medalha. Agora é trabalhar para o futuro, para essa Olimpíada realmente é muito difícil.”

Mas que futuro? A atleta, de 33 anos, decidiu encerrar a carreira após os Jogos do Rio. “Espero mudanças para as novas gerações. É necessário que haja uma evolução no planejamento das categorias de base. Pegar a garotada e levar para treinar fora (do Brasil) e competir bastante. Assim fazem lá fora, competem em alto nível desde cedo.”

Fabiana ainda cita o exemplo da canoagem brasileira, que surpreendeu no Pan ao conquistar 14 medalhas, das quais, três de ouro. “A gente deveria ter um centro de treinamento só da seleção brasileira, para ter aquela união, poder treinar isolados. Ainda dependemos muito dos clubes, assim fica difícil.”

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