Daniel Teixeira|Estadão
Daniel Teixeira|Estadão

Paratletas levam esporte à moda na São Paulo Fashion Week

Claudiney Santos, Elizabeth Rodrigues, Mateus Evangelista e Silvania Costa se destacam nas passarelas

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2016 | 21h14

Os arremessos e lançamentos de Claudiney Santos e Elizabeth Rodrigues, a agilidade de Mateus Evangelista e a precisão de Silvania Costa não estavam em avaliação nesta quinta-feira. A força e a velocidade, exigidas no campo e na pista de atletismo, foram substituídas pela serenidade e pelos passos cadenciados dos quatro paratletas no desfile de João Pimenta, na São Paulo Fashion Week.

"Se fosse saltar, era prova garantida", brincou Silvania, antes de fazer sua estreia no mundo fashion ao lado do guia Wendel Silva. Ela acredita que a experiência teve um papel importante de inclusão social. "É gratificante ocupar um lugar na sociedade. O que a gente mais quer é ser reconhecido e mostrar que temos capacidade", contou a paratleta do salto em distância, que teve a visão afetada pela Doença de Stargardt.

Beth, que descobriu o esporte paralímpico após ser diagnosticada com esclerose múltipla, teve a missão de "quebrar o gelo" no desfile. Com três medalhas - ouro, prata e bronze - no peito, ela deslizou a sua cadeira de rodas pela passarela da sala Casa das Canoas, na São Paulo Fashion Week. "Foi maravilhoso trocar um dia de treino no campo pela passarela. Tive a responsabilidade de ser a primeira e deu um friozinho na barriga, mas saiu tudo correto". Silvania e Elizabeth foram as únicas mulheres a vestirem a coleção de João Pimenta nesta quinta-feira.

A segunda performance ficou a cargo de Mateus, que teve os movimentos do lado direito do corpo prejudicados após sofrer uma paralisia cerebral. O jovem de 22 anos, destaque nos 100, nos 200 metros e no salto em distância, se disse emocionado. Uma orquestra ditou o ritmo de toda a apresentação, que tentava fazer o espectador mergulhar no universo da sistematização a partir de um ícone de ordem: os uniformes.

Em seguida, foi a vez que Claudiney enfrentar o desafio. Para ele, a oportunidade foi uma excelente chance de divulgar o esporte paralímpico. De saia e coturno, o paratleta do lançamento de dardo e de disco e do arremesso de peso não se incomodou por trajar uma roupa menos convencional em sua apresentação. "Nosso lema é acabar com preconceito, jamais poderia ter esse preconceito de não usar saia", enfatizou Claudiney.

O desempenho dos novatos foi aprovado pelo estilista João Pimenta. "Incríveis, superdelicados e fáceis de lidar. Foi demais, fiquei muito feliz", exaltou. A ação foi uma iniciativa de um patrocinador da equipe brasileira de paratletismo.

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