Breno Barreto / rededoesporte.gov.br
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Parceria fora das quadras move dupla feminina brasileira do tênis nos Jogos de Tóquio 

Chamadas de última hora para o torneio, Luisa Stefani e Laura Pigossi têm na cumplicidade o segredo para estar nas semifinais; meninas estão a uma vitória da luta por medalha

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2021 | 18h00

Elas se conhecem pelo olhar, esbanjam confiança e fazem da boa convivência uma parceria que vem dando muito certo nas quadras dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Estreantes em Olimpíadas, as tenistas Luisa Stefani e Laura Pigossi vêm surpreendendo pelo desempenho no tênis. A estratégia da dupla para essa eficácia nas quadras é apostar na simplicidade e jogar "com alma e coração" em busca de uma medalha.

"A gente deixou bem claro que tinha de fazer o nosso jogo independentemente das adversárias. Eu faço a minha parte e sei as minhas armas. Meu jogo é de rede. A Laurinha é muito sólida no fundo. E assim fazemos. Confiando uma na outra e na nossa maneira de jogar", afirmou Luisa Stéfani que joga tênis desde os dez anos.

O roteiro que marcou o ingresso das duas meninas brasileiras nos Jogos de Tóquio, porém, teve requintes de dramaticidade e expectativa. Elas só tiveram as vagas confirmadas pela Federação Internacional de Tênis após desistências na chave. "Aconteceu muita coisa nesses anos últimos meses. Não estava fácil ficar fora. Receber a notícia de que estava no time foi indescritível", comentou Luisa antes de fazer as malas.

Natural de São Paulo, ela fez da modalidade o seu esporte preferido. O retorno dessa dedicação veio em forma de conquistas. São 15 títulos de duplas pela Internacional Tennis Federation (ITF), dois WTA Challegers 125 entre os vários troféus de destaque. Aos 23 anos, a tenista vive uma de suas melhores fases na carreira. E participar da Olimpíada no Japão é a realização de um sonho. "Estou sem palavras para descrever minha alegria e emoção."

Três anos mais velha, a também paulistana Laura Pigossi é o complemento da parceira em quadra. Se uma é voltada para o ataque e jogadas de rede, a outra se incumbe da retaguarda. Dupla é isso.

A condição também explica os resultados obtidos até agora no torneio em Tóquio. E disputar os Jogos, em meio a pandemia de covid-19, trouxe ensinamentos e vitórias pessoais para a brasileira. "Trabalhei muito duro desde a quarentena no Brasil no ano passado. Tive de tomar decisões e olhar para dentro de mim. Mudei de treinador e consegui achar a minha melhor versão. Foi superação a cada treino."

O resultado dessa parceria pode render uma medalha para a modalidade. Nas semifinais após a vitória de virada sobre as americanas Bethanie Mattek-Sands e Jessica Pegula, elas precisam agora de uma vitória em dois jogos para subir ao pódio. Jogam na madrugada desta quinta-feira. Se passarem, vão disputar o ouro. Uma derrota leva a dupla para outra direção, em busca do bronze, mas também muito importante para elas e para o Brasil.

Luisa tem 23 anos. Ela começou a jogar aos 10 anos. Passou pelas chaves principais dos quatro Grand Slams juvenis. Em 2015, chegou a jogar as semifinais de duplas do US Open juvenil. Jogando pela Pepperdine University, fez brilhante carreira universitária, atingindo a segunda posição no ranking da ITA (Intercollegiate Tennis Association). Entre 2015 e 2018, ainda no circuito universitário dos EUA, entrou no circuito profissional da ITF. Em 2018, ela ocupava a 215ª do mundo em duplas e a 753ª. em simples. Em 2019, passou a se dedicar integralmente ao tênis profissional.

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