Parlamento Europeu discute boicote olímpico

Medida pode ser tomada se a China não retomar o diálogo com o Tibete, diz comunicado

Darren Ennis, Reuters

10 de abril de 2008 | 10h34

O Parlamento Europeu pediu na quinta-feira aos líderes da União Européia que boicotem a cerimônia de abertura da Olimpíada de Pequim, em agosto, caso a China mantenha sua recusa em discutir a situação do Tibete com o Dalai Lama. Veja também: China desmantela grupo que planejava atacar Jogos Indonésia encurta caminho de tocha para evitar protestos Presidente do COI pressiona China por liberdade de imprensa   Manifestantes invadem as ruas de São Francisco Entenda o conflito entre Tibete e China O trajeto completo do revezamento da tocha pelo mundo "O Parlamento Europeu pede à Presidência da UE que se empenhe em encontrar uma posição comum da UE a respeito do comparecimento à cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos, com a opção de não-comparecimento ao evento caso não haja retomada no diálogo entre as autoridades chinesas e Sua Santidade o Dalai Lama", disse a assembléia. A resolução não é de caráter obrigatório, mas foi adotada por ampla maioria e amplia a pressão sobre os dirigentes da UE para assumir uma posição mais firme contra a repressão chinesa aos recentes protestos no Tibet. Até agora, a Eslovênia, que preside a UE neste semestre, e autoridades do bloco condenaram a violência no Tibet e pediram a Pequim que abra um diálogo com o líder espiritual a respeito dos direitos culturais e religiosos, mas não chegaram a defender o boicote à Olimpíada. Muitos políticos admitem que o poderio econômico chinês pesa contra esse tipo de protesto. Na quarta-feira, o governo britânico informou que o primeiro-ministro Gordon Brown não irá à cerimônia de abertura, mas negou que haja um caráter político na ausência. O premiê confirmou presença na cerimônia de encerramento. A Grã-Bretanha receberá os Jogos de 2012, em Londres. Protestos contra a política chinesa, especialmente em relação ao Tibet, afetaram o percurso da tocha olímpica na Europa e nos EUA, levando a uma reação nacionalista das autoridades e da imprensa chinesas. A resolução de quinta-feira teve apoio dos principais grupos políticos do Parlamento da UE. Foram 580 votos a favor, 24 contra e 45 abstenções. Em março, protestos liderados por monges em Lhasa ganharam contornos violentos, se espalharam para províncias vizinhas ao Tibet e foram duramente reprimidos pelas autoridades. Pequim acusa o Dalai Lama, líder budista no exílio, de promover os distúrbios. O Dalai Lama nega, dizendo defender apenas mais autonomia para sua região, mas não o separatismo. O regime comunista rejeita o diálogo com ele. O Parlamento Europeu, eleito por voto direto, não tem poder direto sobre a política externa européia, mas é uma câmara de ressonância da opinião pública e exerce pressão sobre os Estados membros, a Comissão Européia (Poder Executivo do bloco) e o chefe de política externa da UE, Javier Solana.

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