Fabio Mota/Estadão
Fabio Mota/Estadão

Parque Olímpico na Barra acumula problemas após os Jogos do Rio

Instalações sofrem com fiação exposta, instalações elétricas com risco à segurança, pisos danificados e inúmeros casos de infiltração

Marcio Dolzan / RIO, O Estado de S.Paulo

31 Janeiro 2018 | 07h02

Fiação exposta, instalações elétricas com risco à segurança, pisos danificados e inúmeros casos de infiltração são apenas alguns dos problemas que esperam solução há pelos menos oito meses em arenas esportivas construídas para os Jogos do Rio no Parque Olímpico da Barra. As situações mais graves estão no Velódromo e no Centro de Tênis, que registram acúmulo de água em diversas salas causado por infiltrações nas paredes ou a partir do piso.

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Em abril do ano passado, um relatório elaborado por engenheiros do Departamento de Infraestrutura do Esporte, ligado ao Ministério do Esporte, apontou a existência de “mais de 1.300 registros de anomalias ou falhas identificadas em diversos sistemas construtivos” das Arenas Cariocas 1 e 2, do Centro de Tênis e do Velódromo. O laudo foi apresentado assim que a Autoridade de Governança do Legado Olímpico (Aglo) recebeu da Prefeitura do Rio a gestão das arenas.

Segundo o termo de cessão, a autarquia tinha 90 dias para apontar danos e possíveis vícios construtivos nas arenas. Caberia à Prefeitura do Rio realizar os reparos ou acionar as construtoras responsáveis pelas obras. Todas as instalações olímpicas foram erguidas para os Jogos do Rio e tinham cerca de um ano de uso.

Apesar disso, não faltavam problemas. Além da ausência de documentações para “atendimento pleno das normas”, a análise visual feita pelos engenheiros nas quatro instalações apontou uma série de danos – eles iam de corrosão em estruturas metálicas à falta de forração.

Erguido a um custo total de R$ 224,7 milhões – quase R$ 50 milhões a mais do que o previsto –, o Centro de Tênis já sofria com problema de acúmulo de água em algumas áreas, causado provavelmente pelos “problemas de infiltração” e pelo “desnível de pisos”, como apontava o laudo. Apesar do pouco uso, portas já estavam danificadas e a fiação elétrica, exposta.

Situação semelhante podia ser vista no Velódromo. Inaugurado a apenas 40 dias do início da Olimpíada, a instalação foi a última arena a ser entregue para os Jogos do Rio, após sofrer atrasos no cronograma de construção e aumento dos custos. Orçada inicialmente em R$ 118,88 milhões, a construção consumiu R$ 31 milhões a mais dos cofres federais. A conta final ficou em R$ 149,9 milhões.

Entre março e dezembro do ano passado, o Velódromo foi sede da representação do Ministério do Esporte no Rio e também da Aglo – desde o início deste ano, ambas foram deslocadas para a Arena Carioca 1. No segundo semestre, deverá abrigar um museu dedicado ao esporte.

O problema é que, para isso, precisará ser resolvida uma série de infiltrações, “com destaque para a eflorescência de água no subsolo”. Do lado de fora, os engenheiros apontavam para a necessidade de ser realizado o ajuste no “caimento irregular do piso”, que ainda hoje resulta em acúmulo de água junto às paredes.

A Prefeitura do Rio vai desembolsar R$ 2,5 milhões somente para arcar com as reformas do Centro de Tênis e do Velódromo. Segundo a RioUrbe, empresa pública responsável por gerenciar as obras do município, a arena de tênis “já possui processo formado para a solução dos problemas no valor de R$ 1,5 milhão”. Os reparos no Velódromo têm estimativa de custo de R$ 1 milhão.

Todas as arenas deveriam ser reformadas pelas empresas ou consórcios responsáveis por suas construções, mas algumas delas estão em processo de liquidação ou tiveram seus contratos rescindidos pelo município, e por isso se recusam a realizar as obras. De acordo com a RioUrbe, elas serão acionadas na Justiça para ressarcir os cofres do Rio dos prejuízos.

 

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