Anthony Costa
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Pedro Barros, o campeão que sabe se divertir nos torneios

Esperança de medalha do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio é o destaque no Vans Park Series

Catharina Obeid, O Estado de S.Paulo

02 Junho 2018 | 07h00

Pedro Barros não ganhou um, nem dois, nem três troféus da competição mais importante do skate. Aos 23 anos, o catarinense é hexacampeão mundial do X-Games. Apontado como sucessor de Bob Burnquist, skatista que mais levantou a bandeira brasileira no cenário do skate internacional, ele é um dos maiores nomes na categoria park, que une elementos do vertical, bowl e street.

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A modalidade vai estar na próxima edição da Olimpíada, e o brasileiro natural de Florianópolis é uma das grandes apostas na corrida pelo ouro. Mas, antes disso, ele precisa se classificar e o Vans Park Series pode ajudar. A etapa brasileira do campeonato mundial de park ocorre neste sábado em São Paulo e garante pontos no ranking que classificará para os Jogos de Tóquio, em 2020.

Mas toda essa história com o esporte começou lá atrás, em 1996, quando Pedro tinha pouco mais de um ano e ainda usava fraldas. Sua mãe conta que um amigo de seu pai esqueceu um skate na casa deles. O resultado? “Eu acabei brincando como se fosse um carrinho mesmo, virou um meio de locomoção. Em vez de andar de andador, eu subia no skate e ia me apoiando na parede”, conta.

Filho do surfista André Barros, o skatista cresceu entre a praia e o asfalto. Foi apresentado aos dois mundos desde cedo e até hoje continua se aventurando em ambos. Um por hobby, outro como estilo de vida. Pedro conta que o lado profissional do skate veio naturalmente. “Aos seis anos já comecei a competir em vários campeonatos de iniciantes e amadores. Com 10 anos eu já tinha participado de umas 40 competições”, relembra.

Para ele, todo esse preparo emocional está vinculado ao seu sucesso na modalidade. “Eu sempre levei a competição como uma brincadeira divertida. Se eu for bem, ótimo, se não, azar. Pelo menos eu tentei, me esforcei e curti o momento”, analisa. Além do acompanhamento de profissionais, uma outra ajuda foi determinante: autoconhecimento. Respeitar seu corpo, sua mente e até mesmo sua intuição. Com isso, ele acredita que evitou muitas lesões na carreira – e olha que quebrou o braço três vezes, o dedo, o cotovelo e a clavícula.

Sempre com um sorriso no rosto, Pedro é uma pessoa cheia de energia e muito sincero quanto a seu sonho no esporte. Diferente do que outros atletas diriam, o skatista não fala de conquistas pessoais, medalhas ou vitórias. Sua maior ambição é passar a mensagem, que o skate passou para ele, para outras pessoas: “A gente olha para todos os lados e parece que não tem saída, mas o skate sempre te dá uma saída.”

Objetivo esse que pode ser conquistado com a ajuda da Olimpíada. Na visão do catarinense, além da positiva visibilidade e diminuição do preconceito, a competição vai fazer com que o esporte seja dividido em duas modalidades diferentes, que ele chama de “skateboard verdadeiro” e o “skate olímpico”.

Ao mesmo tempo que vai ter uma “galera robozinha que vai treinar durante quatro anos e fazer uma apresentação perfeita”, a cena underground vai continuar a existir. O motivo? “A diferença é que além de habilidade, no skate você também tem de saber se expressar, como na arte ou na música”. E garante: “O skateboard, como estilo de vida, não vai morrer. Pelo menos até os originais estarem vivos, vamos manter isso vivo, juntos.”

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