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Pego no doping, paratleta brasileiro é suspenso por quatro anos

Luciano dos Santos Pereira foi pego em duas substâncias proibidas

Jamil Chade, enviado especial ao Rio, O Estado de S.Paulo

15 Agosto 2016 | 10h46

Mais um brasileiro é flagrado no exame antidoping. Desta vez, o caso se refere ao atleta Luciano dos Santos Pereira. Nesta segunda-feira, ele foi suspenso por quatro anos. Os exames ocorreram ainda no dia 18 de maio, depois de ele completar provas no Grande Prêmio do Rio. Duas substâncias proibidas foram encontradas em sua urina, stanozolol e oxandrolone.

Em Londres-2012, Luciano dos Santos Pereira já havia participado do salto triplo, lançamento de disco e de peso. Ambas fazem parte da lista das substâncias banidas pela Agência Mundial Anti-doping de 2016. Os produtos são proibidos tanto em competições como fora. Sua suspensão é válida a partir do dia 3 de junho de 2016 e terminará apenas em 2 de junho de 2020.

A entidade internacional deixou claro em um comunicado de imprensa que o atleta, por conta do teste positivo "não mais poderia participar dos Jogos Paralímpicos". Para o Comitê Paralímpico Brasileiro, o atleta sequer havia sido convocado para os Jogos e não estava na lista dos participantes. Todos os resultados positivos do atleta em competições desde junho serão cancelados, assim como eventuais prêmios ou medalhas.

Ele, porém, não é o primeiro a ser pego. Kleber Ramos, do ciclismo de estrada, foi o primeiro caso de doping de um brasileiro que participou dos Jogos Olímpicos de 2016. Ele foi pego em um teste realizado pela Agência Mundial Antidoping, no dia 31 de julho. Ramos competiu na Olimpíada. Mas não terminou sua prova. 

Ele foi um dos 19 ciclistas que a União Internacional de Ciclismo acabou identificando como tendo ingerido substâncias ilegais. Além de Kleber Ramos, outros dois brasileiros fazem parte do grupo: Raphael Mesquita Mendes e Josemberg Montoya Nunes Pinho, que foram suspensos de competições. Eles, porém, não estiveram no Rio de Janeiro.  

Nos últimos anos, o ciclismo brasileiro tem acumulado casos de doping. Em julho, o campeão nacional Everson de Assis foi pego com 15 substâncias proibidas. O Estado apurou que o primeiro doping brasileiro foi recebido com preocupação por parte da Agência Mundial Anti-doping (WADA). A entidade vinha alertando sua insatisfação com os controles brasileiros e indicou que o País passaria a ser monitorado diante das falhas apresentadas. Entre os dias 1 e 24 de julho, nenhum teste foi realizado com atletas brasileiros.

Assim que os testes passaram a ser internacionais, controlados pela WADA, o caso de Ramos logo apareceu. A WADA havia criticado o Brasil por conta da redução no número de testes de controle de doping realizados em atletas nacionais, antes dos Jogos Olímpicos. 

Depois de realizar em média 370 testes por mês em atletas, o número caiu para apenas 110 em julho, às vésperas dos Jogos. Uma carta foi enviada pela WADA ao Ministério do Esporte no final de julho para se queixar. Agora, a entidade alerta que terá de passar a controlar de forma intensa o laboratório do Rio de Janeiro e a política nacional de combate ao doping. 

"Isso é uma prática inaceitável  da parte da Agência Nacional Anti-doping, em especial em um momento tão crucial antes dos Jogos Olímpicos", indicou a WADA, em um comunicado. "Não podemos dar números exatos sobre o que deve ser feito, mas esses números (de 110 testes) não estão em linha com um programa eficiente", alertou.

"Um programa de testes coordenados deveria ter sido estabelecido no caminho final para os Jogos Olímpicos, em especial focando no que a agência classifica como esportes de 'alto risco'", alertou a WADA. Segundo a agência, o assunto foi transferido para a força-tarefa estabelecida antes das Olimpíadas e "também para nosso comitê de avaliação do cumprimento das leis antidoping".  "O programa brasileiro anti-doping estará sob um escrutínio ainda mais intenso e monitoramento a partir de agora", alertou a WADA. 

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