Pequim diz que não vai ceder a pressões políticas nos Jogos

Autoridades afirmam que não se submeterão à opinião de grupos que querem mudar o governo do país

Lindsay Beck, REUTERS

29 de janeiro de 2008 | 09h56

A China nunca se submeterá a pressões e insultos de grupos e governos que queiram usar a Olimpíada de Pequim para mudar a política chinesa, disse um influente jornal estatal nesta terça-feira. Ativistas de todo o mundo querem aproveitar os Jogos de 2008 para pressionar a China em várias questões, como a liberdade religiosa e a situação de Taiwan e Tibete. A atriz Mia Farrow, por exemplo, faz campanha contra o fato de a China vender armas ao Sudão e comprar petróleo desse conturbado país africano. "Como a Olimpíada de Pequim se torna assunto popular de conversas mundo afora, alguns que olham para o povo chinês de forma tingida criaram uma espécie constrangedora de 'excitação"', disse um artigo do Diário do Povo, órgão oficial do Partido Comunista. "Eles acreditam que podem exercer pressão sobre o governo chinês para obrigar a China a uma situação em que não possa fazer nada senão ceder a suas exigências. Essa gente fez um cálculo errado", diz o texto. Jian Yu, porta-voz do Ministério do Exterior, disse que os avanços da China na defesa dos direitos e liberdades de seus cidadãos deveriam ser reconhecidos. Ela insistiu na necessidade de não politizar os Jogos. "Acreditamos que a comunidade internacional deveria se opor a atos que prejudiquem os Jogos Olímpicos", disse ela em entrevista coletiva. O artigo no Diário do Povo fazia um alerta especial em relação a Taiwan, uma ilha autônoma que é vista por Pequim como parte de seu território. "Não há país no mundo que receba uma Olimpíada e que comprometa seus próprios interesses centrais" diz o texto. O jornal diz, porém, que a China está aberta a críticas e de fato as recebe, mas que o mundo nunca perdoará quem tentar contaminar os Jogos com a política. "Ao mesmo tempo em que ferem os sentimentos de 1,3 bilhão de chineses, eles também estão levando a Olimpíada para o turbilhão da politização", afirma o artigo. "Se em cada Olimpíada subsequente as pessoas se levantarem e usarem a política para atacar maliciosamente o país anfitrião, e usar a ideologia para preparar boicotes, como fica o espírito olímpico?", acrescentou. "Quanto mais abundantes suas atividades, mais eles mostram sua verdadeira face, que é tentar desgraçar o espírito olímpico."

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