Fabrice Coffrini/AFP
Fabrice Coffrini/AFP

Perguntas e Respostas: O que se sabe sobre um possível cancelamento da Olimpíada de Tóquio

Depois do adiamento por um ano, agora crescem os rumores de que o Japão não realizará o evento em julho por causa da pandemia

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de fevereiro de 2021 | 12h00

O Japão nega veementemente que estaria estudando o cancelamento da Olimpíada de Tóquio, já adiada no ano passado devido à pandemia do novo coronavírus. Mas, a menos de seis meses da abertura, as dúvidas sobre a realização do evento persistem. Atualmente, o Japão está em estado de emergência e enfrenta aumento no número de infecções por covid-19. Por isso, cresceram as especulações e rumores em relação a um eventual cancelamento. Veja abaixo perguntas e respostas sobre os Jogos Olímpicos de Tóquio.

O que dizem os responsáveis?

O primeiro-ministro japonês, Yoshihide Suga, repete insistentemente que está "determinado" a organizar os Jogos este ano. O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, afirma também que "não há motivos para acreditar que a Olimpíada de Tóquio não será aberta em 23 de julho".

A Olimpíada será realizada com a presença de torcedores?

O COI admite que a possibilidade de um número limitado de torcedores e até a não presença de público são opções possíveis. A decisão sobre uma eventual presença do público, inclusive de espectadores vindos do exterior, porém, só deve ser tomada nos próximos meses. Para quem comprou ingresso e, não tendo público, o dinheiro será devolvido.

O que pensam os atletas?

A pressão dos atletas foi vista como o gatilho para a histórica decisão do COI de adiar por um ano os Jogos, em março de 2020. Agora, os comitês olímpicos nacionais anunciaram que se preparam para enviar seus atletas ao Japão, conforme planejado. A campeã olímpica grega de salto com vara Katerina Stefanidi, uma das líderes do movimento esportivo que defendeu o adiamento dos Jogos no ano passado, é favorável a sua manutenção em 2021, até com portões fechados, se for necessário. A ginasta americana Simone Biles também espera que os Jogos ocorram, "mesmo que você tenha que estar em uma bolha". Já a ginasta japonesa Kohei Uchimura acredita que isso só faria sentido se a opinião pública japonesa, que atualmente se opõe à manutenção dos Jogos este ano, mudar de ideia.

Quanto custaria o cancelamento dos Jogos?

Os organizadores reavaliaram o orçamento em dezembro para US$ 15,8 bilhões de dólares, sendo US$ 2,7 bilhões a mais do que a estimativa anterior, devido a custos de postergação e medidas sanitárias. Assim, os Jogos de Tóquio-2020 serão os mais caros de todos os tempos. Alguns setores, como turismo e hotelaria, sofreriam os maiores prejuízos em caso de cancelamento.

Qual é a receptividade dos japoneses com os Jogos?

No momento, pesquisam apontam que a grande maioria dos japoneses se opõe à realização dos Jogos neste ano. O temor é de a Olimpíada pode provocar um agravamento da pandemia. Regiões do país estão em estado de emergência, como Tóquio, por causa da covid-19. A campanha de vacinação no Japão está previsto de começar neste mês.  

A vacina será obrigatória?

O COI diz que atletas e integrantes das delegações não serão obrigados a se vacinar para participar dos Jogos. A entidade, no entanto, incentiva a vacinação em massa. Quem não se imunizar terá de cumprir um período de quarentena ao desembarcar no Japão.

Quais são as consequências de um possível adiamento dos Jogos para o esporte?

O COI possui reservas financeiras consideráveis que lhe permitiram enfrentar o adiamento do ano passado, mas especialistas avaliam que um cancelamento teria consequências desastrosas. Muitas federações esportivas nacionais e internacionais, por exemplo, estariam em grave situação financeira, pois dependem fortemente do dinheiro que recebem do COI por causa da Olimpíada. Alguns atletas também perderiam as últimas esperanças de participar dos Jogos Olímpicos e o cancelamento poderia desgastar a imagem do movimento olímpico.

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