Miriam Jeske / COB
Miriam Jeske / COB

Perto de medalha no boxe, Hebert queria ser jogador de futebol e não dispensa orações da mãe

Brasileiro vai lutar pelas quartas de final na madrugada deste domingo contra Abilkahn Amankul, do Casaquistão

Redação, O Estado de S. Paulo

31 de julho de 2021 | 20h00

O boxeador Hebert Conceição está bem perto de garantir medalha nos Jogos de Tóquio. Medalha de bronze no Mundial de 2019 e prata no Pan-Americano de Lima no mesmo ano, o pugilista brasileiro volta a lutar pelas quartas de final na madrugada deste domingo, diante de Abilkhan Amankul, do Casaquistão. Uma nova vitória vai garantir ao boxeador pelo menos o bronze, pois no boxe não há disputa pelo terceiro lugar.

Hebert foi criado na Academia Champion, em Salvador, na Bahia, com o técnico Luis Dórea, assim como o tetracampeão mundial Acelino Popó Freitas, Robson Conceição, campeão olímpico na Rio-2016, e Adriana Araújo, bronze em Londres-2012.

"Hebert está conosco desde os 14 ou 15 anos de idade. É um garoto muito talentoso, invicto no Brasil, que foi campeão brasileiro duas vezes na classe cadete, duas na classe juvenil, três na elite, prata pan-americano do Peru, bronze no Mundial da Rússia e prata nos Jogos Militares", orgulha-se Dórea, que acredita em algo muito especial para seu pupilo em Tóquio.

"Ele tem um boxe acima do normal. Apesar de jovem (23 anos), ele possui experiência internacional, cabeça concentrada no que faz, craque de boxe, uma grande revelação do Brasil. Tenho muita fé que ele tem boxe para ser campeão olímpico. Peço a Deus que possa mostrar tudo que sabe. Ele foi preparado para isso, sabe o que quer na Olimpíada e na carreira. Esse ouro vem aí", continuou o treinador.

Segundo Dórea, o trabalho feito pela comissão técnica complementa muito bem a preparação de Hebert. "Ele estudou todos os adversários. Lutou com a maioria deles. Sabe o que tem de fazer em cima do ringue e sabe realizar o trabalho." Com 1,87 metro, Hebert é alto para a categoria dos médios (até 75 quilos), além de ser dono de um estilo clássico, bonito de se ver em ação no ringue. Todos os seus golpes são 'limpos' e muito bem aplicados, o que o tornam sempre dominante em seus combates, mesmo quando enfrenta rivais que buscam a troca franca de socos desde o início da disputa.

Hebert é o filho caçula de dona Ieda. Ele tem mais três irmãs. Quando procurou o boxe também estava pensando em emagrecer. Acabou gostando de lutar e não parou mais. É brincalhão e não pensa duas vezes em ajudar os meninos do bairro em Salvador que querem seguir os seus passos. Queria mesmo ser jogador de futebol. Tentou o jiu-jítsu e a capoeira antes de vestir as luvas e subir em um ringue pela primeira vez. Sempre contou com a família. Não há luxo, mas nunca lhe faltou nada. A mãe confia no talento do filho, mas por via das dúvidas sempre coloca seu nome nas orações. Quando a coisa aperta, o próprio filho pede para a mãe ajudar com as rezas. Tem dado certo.

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