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Almir Leite e Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2016 | 06h09

Um antigo sonho do futebol brasileiro pode se tornar realidade hoje, no mais emblemático estádio de futebol do planeta: a seleção olímpica enfrenta a Alemanha no Maracanã, às 17h30, em busca do inédito e histórico ouro olímpico no Rio-2016. É o único título que falta a um País outrora acostumado a conquistas, mas que faz algum tempo nada ganha.

Se vier, a medalha vai consagrar uma nova geração de jogadores, um técnico desconhecido até pouco tempo atrás e sobretudo um jogador, o craque do time, Neymar.

Medalhista de prata quatro anos atrás, em Londres, o capitão Neymar preparou-se especialmente para a Olimpíada. Quer fazer dela a porta de entrada para a história e admite: “Não vai ter outra chance melhor, outro momento que seja melhor do que esse’’.

 O Brasil já tem cinco títulos de Copa do Mundo, ganhou Copa América, Copa das Confederações, competições diversas. Falta-lhe, porém, o ouro olímpico. Uma medalha que já escapou três vezes em finais – Los Angeles/1984, Seul/1988 e Londres/2012. Por isso conquistá-lo, ainda mais em casa e com o ingrediente extra de a decisão ser contra a Alemanha, será consagrador.

Embora jogadores e comissão técnica se desviem do tema, a torcida brasileira quer vingança pelos 7 a 1 impostos pelos alemães à seleção na Copa do Mundo de 2014. O desejo de revanche ficou claro durante os 6 a 0 sobre Honduras na semifinal, quando o Maracanã cantou “Ô Alemanha, pode esperar! A sua hora vai chegar!’’, e ganhou importância no imaginário dos torcedores nos dias que antecederam a decisão. “Sei que (o jogo) nos remete a uma história recente, mas não temos nada a ver com isso. Vamos viver a nossa história’’, diz o técnico Rogério Micale. “Não temos de pensar em revanche, temos de pensar no ouro’’, acrescenta a Renato Augusto.

O Brasil chega embalado à decisão. Após dois empates iniciais por 0 a 0 com África do Sul e Iraque, com futebol contestável, venceu seguidamente Dinamarca (4 a 0), Colômbia (2 a 0) e Honduras (6 a 0). São 12 gols marcados e nenhum sofrido, única defesa invicta e melhor da competição.

Contra os habilidosos, perigosos e entrosados alemães, a seleção vai manter o esquema ofensivo que vem dando certo. Micale repete a escalação das outras partidas com quatro jogadores de ataque, apenas um volante específico (Walace), mas que prima pela mobilidade e disciplina tática. “Temos uma essência ofensiva e não vamos mudar. O time tem de ser equilibrado, mas sem abandonar nossa essência’’, diz.

IDEALISMO

Micale é humilde, mas tem suas pretensões. Uma delas é que o ouro possa recolocar o futebol brasileiro no caminho do jogo bonito, bem jogado como ele mesmo define. Com carreira forjada em categorias de base, só está no comando do time (que treina há um ano) na Olimpíada porque Dunga foi demitido e Tite não quis assumir o cargo. E sonha em passar de ilustre desconhecido a treinador que ajudou a levar o Brasil ao único título que faltava em sua galeria.

O treinador prevê uma partida duríssima contra um adversário que chega igualmente forte na decisão, consequência de uma campanha semelhante à do Brasil: dois empates nas duas primeiras partidas e quatro vitórias, com 21 gols marcados (melhor ataque) e 5 sofridos. “Conheço a Alemanha não por essa equipe, mas pelo modelo de jogo adotado em todas as categorias. Procura ter domínio com a posse de bola, com os três homens da frente afunilando e dando espaço para a passagem dos dois laterais. É um jogo perigoso’’', analisa.

O jogo perigoso pode também ficar nervoso. Micale tem consciência disso, mas acredita que os jogadores estão preparados para suportar a pressão de uma final em casa e que o horizonte acena com a consagração do ouro, mas ameaça com a decepção da prata. “O Brasil chega a essa final forte por tudo o que aconteceu no início e no desenrolar da competição’’, assegura.

Atual campeã do mundo, a Alemanha também luta por um ouro que ainda não tem. O título de 1976, em Montreal (Canadá), foi conquistado pela Alemanha Oriental, que tinha um time experiente, mas amador em função do regime comunista. A rigor, os alemães têm apenas uma medalha olímpica, um bronze ganho em Seul/1988.

O Brasil, por sua vez, é o recordista em medalhas olímpicas no futebol masculino, pois ao chegar à decisão de hoje assegurou a sua sexta – tem também os bronzes de Atlanta/1996 e Pequim/2008. Tal marca, porém, terá a importância bem reduzida no caso de outra prata para a coleção.

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Almir Leite e Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2016 | 05h31

Quatro anos após disputar sua primeira final olímpica e ficar com a prata, Neymar tem, em suas próprias palavras, sua segunda chance. Apagado no início da Olimpíada e decisivo nos últimos jogos, o atacante é a principal esperança para o Brasil vencer a Alemanha e conquistar para o País a primeira medalha de ouro no futebol olímpico. De quebra, se chegar ao alto do pódio se igualará a Messi, seu companheiro no Barcelona e que foi campeão dos Jogos de Pequim/2008.

A conquista do ouro é um sonho de Neymar, que fez questão de disputar os Jogos do Rio. Quando o Barcelona vetou a convocação dele para duas competições – Copa América Centenário e Olimpíada –, o atacante pediu para estar em campo no Rio-2016. “Eu ganhei uma segunda chance”, afirmou o atacante em entrevista à CBF TV.

Em Londres, o Brasil era favorito na decisão com o México, mas um gol no primeiro minuto permitiu ao adversário passar o resto da partida esperando pela seleção – que acabou tomando mais um gol e descontando só no fim, quando já não havia mais tempo para reação.

Neymar afirma que aquela derrota deixou um aprendizado. “O que aprendi ali é que a cada momento você tem que estar ligado, porque em um deslize pode acabar perdendo tudo. Foi o que aconteceu com a gente, desligamos um minuto do jogo e saímos perdendo por 1 a 0”, disse o atacante. “Então, é isso que aprendi. Desde o começo, temos que estar ligados no jogo para não ser surpreendido.”

Daquela final até hoje, o jogador viveu altos e baixos na seleção. Neymar foi um dos responsáveis pelo título da Copa das Confederações de 2013 – cuja final com a Espanha foi disputada no mesmo Maracanã da decisão deste sábado – e viveu um drama na Copa de 2014, quando foi atingido pelas costas na partida com a Colômbia, pelas quartas de final, e acabou ficando de fora da competição.

Com a chegada de Dunga, em julho de 2014, Neymar ganhou a braçadeira de capitão, mas nesse posto ele acabou sendo bastante contestado. O atacante acabou se envolvendo em polêmicas em campo – chegou a ser expulso após encerrada uma partida da Copa América do Chile, no ano passado – e fora dele, quando defendeu colegas de time chamado de “babacas” os críticos em uma rede social.

O técnico Rogério Micale, contudo, resolveu manter a aposta em Neymar como capitão na Olimpíada, e é só elogios ao principal jogador brasileiro. “Ele tem ciência do que representa, não só para o Brasil, mas para o mundo como referência. As atitudes que ele tem demonstrado são um recado”, afirmou o treinador.

Ao menos nesta Olimpíada, Neymar tem falado com os pés – e apenas dessa forma. À exceção da entrevista divulgada pelo canal oficial da CBF, o jogador tem evitado dar declarações públicas desde a vitória por 4 a 0 sobre a Dinamarca. Desde então, optou por fazer silêncio.

Micale garante que o jogador está feliz, e tanto nos treinos quanto na partida diante de Honduras é justamente isso que ele tem demonstrado.

Ontem, na primeira parte da atividade realizada no Ninho do Urubu, onde o Brasil fez seu último treino, ele estava bem à vontade. Na quarta-feira passada, vibrou como poucos a cada gol, principalmente diante da torcida. Terá mais uma chance hoje. E pode se consagrar.

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Ciro Campos, O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2016 | 06h13

Em março de 1982, o então atacante Horst Hrubesch foi ao Maracanã para defender a Alemanha no amistoso contra a temida seleção brasileira, favorita à Copa do Mundo daquele ano. Já em 2016, o agora treinador da equipe olímpica do seu país volta ao estádio neste sábado para a final dos Jogos do Rio em situação um pouco diferente. O Brasil seria novamente o favorito absoluto, caso não tivesse como adversários os alemães.

A reedição da semifinal da última Copa do Mundo pode não ter nenhum dos titulares daquela Alemanha em campo, mas terá na área técnica o responsável por revelar campeões como Neuer, Hummels, Ozil e Khedira. Hrusbesch trabalha nas categorias de base da seleção desde 2000 e se despede do cargo hoje, contente por ter contribuído para a formação de grandes jogadores e realizado a melhor campanha do país em Olimpíada.

“Meu objetivo era chegar a uma final olímpica, então estou feliz. Quem sabe depois do jogo com o Brasil eu vou chorar um pouco, mas ao mesmo tempo meus olhos estarão sorrindo”, disse Hrubesch. Como atacante, ele foi vice-campeão mundial com a Alemanha em 1982 e ganhou uma Liga dos Campeões com o Hamburgo, em 1983.

O ex-jogador encerrou a preparação para a final no Centro de Futebol Zico (CFZ), a poucos metros de distância do ídolo do Flamengo e dono do local. Zico estava em campo no amistoso de 1982, no Maracanã. “Histórico não entra em campo”, disse.

Hrusbesch relembrou a ida ao Maracanã em 1982, mas ouviu mais perguntas sobre o quanto a final olímpica servirá como revanche do 7 a 1 da Copa do Mundo. “Ouvi essa questão muitas vezes. Nada disso conta na final pelo ouro. É um time diferente e estamos aqui para viver nosso sonho. Vamos lutar até o fim.”

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