Ricardo Bufolin|CBG
Ricardo Bufolin|CBG

Perto dos 16 anos, Thaís Fidelis reforça nova geração da ginástica

Atleta é uma das grandes apostas do COB para os Jogos de Tóquio

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

27 Dezembro 2016 | 07h02

A nova geração da ginástica artística do Brasil, representada por Flávia Saraiva e Rebeca Andrade nos Jogos Olímpicos do Rio, ganhará o reforço de mais uma promissora atleta em 2017. Em julho, Thaís Fidelis completa 16 anos e poderá exibir suas piruetas na categoria adulta. Na véspera do período de transição, a garota sente o peso da expectativa e admite: "Me sinto muito nervosa".

Thaís já está no radar do Comitê Olímpico do Brasil (COB) como uma das apostas para o próximo ciclo olímpico e foi incluída no grupo de 20 jovens atletas que fizeram parte do Projeto Vivência Olímpica, no Rio de Janeiro. O objetivo era deixar os novatos familiarizados com o ambiente, visando aos Jogos de Tóquio, em 2020. 

A ginasta vem provando que tem potencial para garantir uma vaga na seleção feminina adulta. Até agora seus resultados são incontestáveis. Em setembro, ela conquistou cinco medalhas de ouro no Campeonato Brasileiro Juvenil. E seu sucesso já ultrapassa fronteiras. Em Sucre, na Bolívia, Thaís colocou o Brasil em destaque no Pan-Americano Juvenil. Em novembro, a mãe Francisca contabilizava 115 medalhas de ouro, 42 de prata, 19 de bronze e mais cinco troféus da filha. A conta não parou de aumentar.

A menina que admirava Daiane dos Santos já escreve sua própria história no esporte. Entrou na ginástica artística aos 5 anos de idade, em Ribeirão Preto. O talento bruto foi encaminhado ao treinador Roger Medina para ser lapidado. Com aperto no coração, Francisca deixou a filha de 11 anos sair de casa em busca de um objetivo e morar em um alojamento em Barueri. "Foi difícil quando ela foi morar sozinha. Ela saiu bebezona de casa, mas deu para aguentar. Tinha dia que eu falava: 'Vou buscá-la'. Era a carreira dela, não podia fazer isso", relembra Francisca, que depois mudou-se para perto da menina.

Em 2015, um dos principais centros de formação de atletas do País encerrou todos os projetos de esporte de alto rendimento. Com isso, Thaís teve de procurar uma nova casa. Após o susto, a ginasta passou alguns meses no Rio de Janeiro até se fixar no Centro de Excelência de Ginástica do Paraná (Cegin), em Curitiba. Dessa vez, acompanhada pela mãe. No Paraná, Thaís divide a casa com algumas ginastas, todas sob a responsabilidade de Francisca.

"É bom conviver com elas, a gente fica mais alegre quando chega o fim de semana. E me dei bem lá (em Curitiba), minha mãe foi comigo e fica na casa cuidando da gente, não sofro tanto agora", conta a jovem. O pai continua em Ribeirão Preto, mas deve se juntar à família se Thaís permanecer no Cegin.

Aos 15 anos, a atleta tem de se dividir entre os treinamentos e a escola e até pensa em fazer faculdade. Dedica-se também a um curso de inglês. A mãe conta que a menina "já está se virando" na língua estrangeira. Com o esporte, a garota quer ganhar o mundo. "Meu sonho é ir para duas, três Olimpíadas", anseia. Se a atleta vai concretizar seu desejo, só o tempo poderá responder. Mas hoje Thaís Fidelis é mais do que uma promessa da ginástica artística brasileira. Ela já é uma realidade.

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