Jae C.Hong/AP Photo
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Pesquisa da estatal NHK aponta que maioria dos japoneses é contra a Olimpíada em 2021

Apenas 27% da população do Japão aprova a ideia dos Jogos de Tóquio serem realizados no ano que vem

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de dezembro de 2020 | 08h04
Atualizado 15 de dezembro de 2020 | 16h30

A maioria dos japoneses se opõe à realização dos Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021 e deseja um novo adiamento ou mesmo o cancelamento da competição, segundo pesquisa divulgada nesta terça-feira no Japão. Ela mostra que a opinião pública local mudou pouco de ideia desde a metade do ano, apesar da chegada das primeiras vacinas ao mercado contra a covid-19. A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, declarou não ver "qualquer cenário" suscetível que possa levar ao cancelamento dos Jogos Olímpicos. 

Ela reconheceu que uma maioria do público japonês continua a se opor à realização do evento devido a um aumento dos casos de covid-19 no país, principalmente em Tóquio, e da possibilidade de receber bem os estrangeiros, mas disse estar convencida de que as preocupações podem ser ultrapassadas com o tempo. "O público japonês e os residentes de Tóquio estão focados na situação atual, de momento com a doença", disse Koike nesta terça. "Nós estamos voltados para o futuro", acrescentou.

A pesquisa mais recente, divulgada pela TV pública NHK, revela que apenas 27% dos entrevistados apoia a realização dos Jogos Olímpicos em meados de 2021, 32% são a favor do seu cancelamento e 31%, de um novo adiamento. O restante respondeu que não está certo ou não se pronunciou.

A governadora advertiu que o futuro de Tóquio-2020, inicialmente marcado para o verão (do hemisfério norte) deste ano, terá um impacto nos futuros eventos olímpicos como os Jogos de Inverno de 2022, em Pequim, na China, e a Olimpíada de 2024, em Paris, na França.

Os Jogos de Tóquio-2020 foram os primeiros da história a serem adiados em tempo de paz e um novo adiamento foi já excluído pelos organizadores e responsáveis japoneses. Outras sondagens de opinião confirmaram as reticências do público japonês. Na segunda-feira, a agência de notícias Jiji divulgou uma sondagem, na qual 21% dos entrevistados defenderam a anulação da disputa e cerca de 30% pediram um novo adiamento. Em pesquisa idêntica, publicada no último dia 6 pela agência de notícias japonesa Kyodo, 61,2% opuseram-se à realização de Tóquio-2020 no próximo ano.

O recente lançamento de campanhas de vacinação em diferentes regiões do mundo reforça, no entanto, a confiança dos organizadores na possibilidade de realizar os Jogos Olímpicos em 2021, mesmo se ela não for obrigatória para atletas ou torcedores. No entanto, e ao mesmo tempo que as primeiras vacinas começam a ser distribuídas, novos casos de infecções estão surgindo em vários países, incluindo o Japão, onde o balanço é relativamente baixo, com menos de 2.600 mortos desde o início da pandemia, de acordo com dados oficiais.

No início de dezembro, os organizadores anunciaram que os Jogos Olímpicos iriam custar 2,1 bilhões de euros (mais de R$ 13 bilhões, na cotação atual) a mais do que o inicialmente previsto, o que elevou o orçamento total provisório para cerca de 13 bilhões de euros (quase R$ 81 bilhões). Em 2021, os Jogos Olímpicos acontecerão entre 23 de julho e 8 de agosto e os Jogos Paralímpicos entre 24 de agosto e 5 de setembro.

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