RicardoBufolin/ECP
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Pinheiros é celeiro olímpico no Jardim Europa

O clube, que tradicionalmente cede atletas para os jogos, tem grandes expectativas para a Olimpíada 2016

Gustavo Zucchi, O Estado de S. Paulo

09 de outubro de 2015 | 18h05

A Olimpíada de 2016 será no Rio de Janeiro, mas uma provável fonte de medalhas para o Brasil fica no Jardim Europa. É no bairro que está localizada desde 1920 a sede do Esporte Clube Pinheiros, uma das instituições que mais cedeu atletas para a competição ao longo de sua história: desde 1899, ano de sua fundação, foram 170 participantes. Só em 2012, nos Jogos de Londres, por exemplo, entraram 22 atletas em seis modalidades. Quem trouxe a medalha de bronze para o clube foi o judoca Rafael Silva.

O clube já tem dez medalhas em jogos olímpicos. Desde 1936 (quando o clube mandou um atleta pela 1ª vez), apenas os jogos de Melbourne (1956) não contaram com nenhum atleta do Jardim Europa na competição. Entre os nomes pinheirenses, estão ídolos históricos como João do Pulo, Gustavo Borges e César Cielo.

"Quando estou no Brasil treino 100% no clube. O Pinheiros tem um diferencial muito grande. A estrutura é muito melhor e tem a questão do planejamento", diz o judoca Thiago Camilo. "Se hoje eu continuo competindo em alto nível é em grande parte por causa do Pinheiros, que me dá todo o suporte." Ouro no Pan-Americano de Toronto, em 2015, Camilo se prepara para brigar novamente pelo pódio no Rio de Janeiro. Ele treina no clube desde 2008. "Estou evoluindo ainda como atleta, especialmente na questão física. O mais importante é que o Pinheiros acredita em mim", afirma o atleta. 

Para 2016, o clube espera levar vários potenciais medalhistas. Entre os favoritos estão, além do próprio Tiago Camilo, Charles Chibana e Eric Takabatake (judô) e Bruno Fratus e Joana Maranhão (natação). Ao todo, são 39 atletas que ou já conquistaram uma vaga ou estão próximos de conseguir.

COM TUDO, MENOS FUTEBOL

Ícaro de Castro Mello (1913-1986) foi o primeiro atleta do Pinheiros a integrar uma delegação olímpica brasileira. Foi em Berlim, 1936, no atletismo. A primeira medalha chegaria em 1960, em Roma, com Manuel dos Santos Júnior, ganhando o bronze na natação.

"Já em 1900 havia competições internas de atletismo, como o pentatlo", conta a gerente do Centro Pró-Memória do Pinheiros, Yara Rovai. Ao mesmo tempo em que os esportes olímpicos engatinhavam, o futebol também ganhava espaço no Germânia (nome original do clube, abandonado durante a Segunda Guerra Mundial). Quando o profissionalismo chegou aos gramados brasileiros, na década de 1930, a direção decidiu deixar o "football" e se dedicar inteiramente a outras atividades.

"Não posso falar de forma cabal, mas acredito que o esporte olímpico no Pinheiros cresceu sem o futebol. É só observar, por exemplo, no memorial de outros clubes. De forma alguma outras atividades têm o mesmo peso. Abandonando o futebol, aqui se tornou um celeiro para os esportes olímpicos", afirma Yara.

Um dos fundadores do Pinheiros, o alemão Hans Nobiling simboliza bem essa vocação do Pinheiros. Apesar de intimamente ligado ao futebol, sendo um dos desenvolvedores do esporte no Brasil ao lado de Charles Miller, ele era um atleta completo e participava de todo tipo de competição. "Dizem que participava sem concorrer, porque era muito superior aos demais", lembra a historiadora.

Yara explica ainda que de certa forma a chegada do clube ao bairro, em 1920, contribuiu para o crescimento da região. "Temos relatos de que quando o clube veio para cá, aqui era abrir e fechar a porteira, uma chácara.  Depois disso, alguns associados começaram a se mudar para perto."

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