Issei Kato | Reuters
Novidades no atletismo foram testadas em evento em maio, em Tóquio Issei Kato | Reuters

Novidades no atletismo foram testadas em evento em maio, em Tóquio Issei Kato | Reuters

Pistola eletrônica e câmera que tira 10 mil fotos por segundo: as novidades tecnológicas dos Jogos

Olimpíada de Tóquio também têm reconhecimento facial para entrar nas arenas e roupas de exoesqueleto, usada por auxiliares no levantamento de pesos para a montagem dos equipamentos

Paulo Favero e Raphael Ramos, enviados especiais a Tóquio , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Novidades no atletismo foram testadas em evento em maio, em Tóquio Issei Kato | Reuters

O Japão, mais uma vez, quer mostrar que está na vanguarda tecnológica. Se em 1964, na Olimpíada também realizada no país, foram utilizadas pela primeira vez na história varas de fibra de vidro mais leves e flexíveis no salto e relógios de quartzo para marcar os tempos das provas, agora os Jogos de Tóquio prometem apresentar ao mundo o que há de mais inovador principalmente em relação à captação de resultados. O objetivo é que esta Olimpíada marque o início de uma nova era na medição de dados em tempo real e monitoramento de desempenho dos melhores atletas do mundo.

As provas de atletismo ilustram bem a evolução tecnológica que separa as duas olimpíadas disputadas no Japão em um intervalo de quase seis décadas. Em 1964, por exemplo, o tiro de largada era ligado a um relógio de quartzo e a uma câmera fotográfica e, com isso, passou-se a registrar resultados de até 1/100 de segundo, uma precisão inédita até então.

Agora, a empresa Omega exibirá em Tóquio um cronômetro com microcristal embutido, que permite registrar até 1 milionésimo de segundo e variação máxima de apenas um segundo a cada dez milhões de segundos. A inovação, na verdade, tem início antes mesmo de os atletas começarem a correr. Como o som viaja mais devagar do que a luz e, por vezes, atletas nas raias mais distantes ouviam a largada depois que os outros competidores, as pistolas tradicionais que marcam o início das provas foram aposentadas. Em Tóquio, serão utilizadas pistolas de partida eletrônica. 

O que isso significa? Que a pistola é conectada a alto-falantes instalados atrás de cada competidor. Quando o gatilho é acionado, um som sai neste alto-falante individual e um flash de luz é emitido ao pulso inicial do cronômetro.

Os blocos de partida também foram aprimorados para essa edição dos Jogos Olímpicos, com tecnologia de ponta e sensores capazes de medir a força do atleta contra o apoio para os pés 4 mil vezes por segundo. Esse inovador sistema de detecção serve para alertar os juízes sobre atletas que “queimam” a largada. Qualquer reação abaixo de 100 milissegundos (um décimo de segundo) é considerada prematura, ou seja, uma partida falsa.

Mas, a cereja do bolo é a linha de chegada, onde está instalada uma câmera fotográfica de última geração que grava até 10 mil imagens digitais por segundo. Isso gera uma superfoto composta para que os juízes possam determinar a classificação final e os tempos de cada atleta, principalmente nas chegadas mais acirradas, situação em que o olho humano não consegue determinar com certeza quem saiu com a vitória.

Na história olímpica, não são raras as provas definidas no chamado photofinish, principalmente as de velocidade, como os 100 metros rasos. A expectativa, inclusive, é de que a divulgação dessas imagens ao público seja um espetáculo à parte em Tóquio e, ao exibir cada movimento e posicionamento dos corpos dos atletas, possa redefinir a compreensão do esporte aos olhos dos torcedores. “Sempre ficamos surpresos com a forma como as máquinas nas quais trabalhamos geram emoções humanas tão poderosas”, reconheceu o CEO da Omega Timing, Alain Zobrist.

O presidente do COI (Comitê Olímpico Internacional), Thomas Bach, também destaca o poder dessas novas tecnologias na evolução dos Jogos. “Estamos sempre entusiasmados com a forma como a cronometragem é impulsionada e adaptada ao novo mundo em que vivemos. Temos os mesmos interesses, que é servir aos atletas e enriquecer a sua experiência e a dos fãs em todo o mundo.”

OUTROS ESPORTES

Não é apenas no atletismo que os Jogos de Tóquio apresentarão novidades tecnológicas ao público que estiver assistindo às provas em casa. A natação se diferencia em relação aos demais esportes porque nela é o próprio atleta que interrompe a contagem do relógio dentro da água ao tocar o touchpad localizado nas extremidades da piscina. Para quem estiver assistindo pela TV, são colocadas à disposição informações como velocidade dos nadadores e o número de braçadas.

Esse ano, a inovação é que, instantaneamente após o nadador terminar a prova, luzes aparecem no bloco de partida. Um único ponto indica o atleta ganhador da medalha de ouro, dois pontos de tamanho médio mostram quem ficou com a prata e três pontos menores de luz alertam o competidor que terminou na terceira colocação.

Há outras inovações. No vôlei de praia, por exemplo, os jogadores têm os saltos, quantidade e altura de cada um, controlados por meio de raio-x. Na ginástica, é usada a tecnologia conhecida como Detecção de Postura, que registra os movimentos completos de cada atleta. O sistema também é usado como ferramenta para os juízes darem as suas notas.

PATAMAR ACIMA

Ainda no campo da inovação tecnológica, os Jogos de Tóquio são os primeiros na história a usar o reconhecimento facial para controlar o acesso de funcionários, atletas, autoridades e jornalistas em suas mais de 40 arenas espalhadas pelo país. Câmeras de alta definição tiram fotos do rosto de quem tenta entrar nos locais de competição e o sistema verifica se a fotografia faz parte de um banco de dados com 1,6 milhão de imagens cadastradas. Chama atenção o fato de a validação biométrica com confirmação de identidade de altíssima precisão ser feita em somente 0,3 segundo.

“A tecnologia foi evoluindo, a gente foi junto. Um projeto que já estava ocorrendo em 2016 vai se consolidar agora, com o reconhecimento facial 100% nos aeroportos e acesso a atletas. Então para esta edição da Olimpíada a expectativa é ainda melhor”, explica Fabio Ribeiro, diretor de marketing da Panasonic do Brasil.

Pessoas que não tiverem suas fotos registradas não têm permissão para entrar nas arenas, mesmo que estejam com crachá ou credencial. O plano inicial previa também a checagem de identidade dos torcedores, mas, por causa da pandemia, o Comitê Organizador vetou a presença de público nas arenas de Tóquio e outras províncias. A liga de futebol japonesa chegou a utilizou câmeras de reconhecimento facial nos estádios para monitorar o comportamento dos torcedores.

A tecnologia ainda é usada para controlar a disseminação do novo coronavírus durante os Jogos na capital japonesa. Todo credenciado precisa baixar em seu celular um aplicativo no qual, diariamente, registra as suas condições de saúde e relata sintomas como tosse, febre e dores no corpo. Quem estiver com suspeita de covid-19 pode ser impedido de entrar nas arenas após o reconhecimento facial. Outra novidade nos Jogos de Tóquio será uma roupa exoesqueleto, batizada de Panasonic Power Assist Suit. Ela será usada por auxiliares no levantamento de pesos para a montagem dos equipamentos. Com o traje, a coluna dos auxiliares é preservada e evita qualquer tipo de lesão.

Além disso, a empresa investiu também na estrutura dos estádios com telões e equipamentos de áudio e segurança, além dos projetores que fizeram o espetáculo da Cerimônia de Abertura e também fará na de Encerramento dos Jogos. 

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Lucarelli se torna referência do forte time brasileiro no vôlei masculino

'Estágio’ em Londres-2012 ajudou jogador, campeão no Rio-2016, a amadurecer na seleção

Paulo Favero / Enviado especial a Tóquio, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2021 | 05h00
Atualizado 03 de agosto de 2021 | 14h12

A seleção masculina de vôlei, que briga pela quarta medalha de ouro em Jogos Olímpicos, o segundo consecutivo, enfrenta a Rússia na próxima quinta à 1h da manhã (horário de Brasília) e aposta na experiência de Lucarelli para superar os rivais e chegar à final. O jogador, que atua como ponta na equipe do técnico Renal Dal Zotto, vive ótimo momento, tem no currículo o ouro nos Jogos do Rio-2016, e ainda teve uma chance quatro anos antes que poucos atletas conseguem.

Na Olimpíada de Londres, em 2012, ele tinha apenas 20 anos e viajou com o grupo brasileiro para a Inglaterra dentro de um programa do Comitê Olímpico do Brasil (COB) de vivência olímpica. Lá, ele não jogou, mas conviveu com grandes estrelas do esporte e viu seus ídolos perderem a final para a Rússia, ficando com a prata. Pode-se dizer que a ida aos Jogos de Londres foi uma espécie de estágio na carreira de Lucarelli.

“A única lembrança triste que tenho de lá foi a derrota na final. São coisas do esporte, que infelizmente aconteceram com a gente. Mas, de resto, foi tudo sensacional. Os caras que me fizeram apaixonar pelo vôlei, de quem sempre fui fã, estavam lá. Eu me espelhava muito nos jogadores que estavam ali e foi um prazer enorme ter essa convivência. Eles mereciam muito aquele título”, disse.

Aquele grupo tinha jogadores como Murilo Endres, Giba, Ricardinho, Leandro Vissotto, Dante e o líbero Serginho, entre outros. Da atual seleção, o levantador Bruninho, o central Lucão e o oposto Wallace também faziam parte daquele time que levou uma virada histórica na decisão.

Por todas as situações que passou com aquele grupo, Lucarelli ressalta a importância do programa Vivência Olímpica como um aprendizado importante em sua carreira. “Foi muito legal para mim. Deu para entender o que é uma Olimpíada, o quão grande é. Depois daquele ciclo, dei o máximo para jogar a Olimpíada que foi no Brasil e tive sorte de conseguir a vaga no time”, afirmou Lucarelli.

Nesta edição da Olimpíada, o Vivência Olímpica acabou não ocorrendo por causa da pandemia de covid-19. Atletas que poderiam ter a mesma experiência de Lucarelli perderam a chance de sentir o clima dos Jogos antes da hora. Mas tudo indica que para Paris-2024 a situação já volte ao normal.

Nos Jogos do Rio, Lucarelli foi campeão o junto com o time que era comandado por Bernardinho. A vivência de anos antes ajudou na sua formação. “O que sempre levo como aprendizado é a importância do trabalho. A galera corre atrás e todos continuam em um nível extremamente alto. Então só trabalhando para ser merecedor”, explica.

O Brasil estreou nos Jogos de Tóquio ganhando da Tunísia por 3 a 0. Depois veio vitória contra Argentina (3 a 2), derrota para a Rússia (0 a 3),  e triunfos sobre EUA (3 a 1) e França (3 a 2), antes de passar pelo Japão (3 a 0) nas quartas de final. “Acho que o favoritismo nesta Olimpíada está bem dividido”, comenta Lucarelli, que espera repetir a dose da última edição no Japão.

“São muitas equipes que têm claras chances de chegar até a final. O Brasil tem chance de estar nesse grupo, mas acredito que muitas outras equipes também têm a possibilidade de chegar longe. Vejo com força a Rússia, a Polônia, a França, os Estados Unidos, que são sempre uma equipe que chega longe, e a Itália, entre outras”, diz.

EQUIPE POTENTE

A força do Brasil nos Jogos de Tóquio não está apenas em Lucarelli. A seleção conta com o talento do levantador Bruninho, que tem experiência para armar as jogadas de ataque da seleção. Outro fator decisivo é o ponteiro Leal, que nasceu em Cuba, mas se naturalizou brasileiro e está disputando sua primeira Olimpíada. E o oposto Wallace vem se destacando na temporada.

Todos participaram da boa campanha da equipe na Liga das Nações. O Brasil venceu a Polônia na finalíssima. Até por isso, pode ser colocado como uma das principais forças nesta edição da Olimpíada e um dos favoritos a ficar com o ouro.

Atuando no vôlei italiano, Lucarelli também entende que a França vai dar trabalho, e dará ainda mais no próximo ciclo olímpico, quanto atuará em casa em Paris-2024 e será comandada pelo brasileiro Bernardinho. “O time atual da França é muito bom e, conhecendo o Bernardo, eles vão evoluir bastante. Infelizmente ele vai agregar muito para a seleção francesa.”

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Carta de fã mirim motiva Jaqueline Mourão, do ciclismo, em 7ª Olimpíada

Aos 45 anos, brasileira sente-se bem para competir e diz que servir de inspiração para os mais novos vale mais que uma medalha

Paulo Favero / Enviado especial a Tóquio, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2021 | 05h00

Jaqueline Mourão vai bater um recorde em Tóquio e se juntar ao seleto grupo de atletas com sete edições olímpicas no currículo. Mas a curiosidade é que ela disputa Jogos de Verão e de Inverno, alternando sua preparação. No Japão, ela vai pedalar no ciclismo mountain bike motivada pela carta que um garoto enviou para ela, com palavras de apoio e um desenho. “Isso vale mais que a medalha, ser inspiração para os mais novos”, disse ao Estadão.

Na carta, o menino Gustavo desenhou uma bicicleta, os anéis olímpicos e a bandeira do Brasil. E escreveu de próprio punho para a atleta. “Estou escrevendo para te desejar uma ótima competição e dizer que estou na torcida para uma medalha”, afirmou o garoto, que é de Juiz de Fora, em Minas Gerais.

Para Jaque, esse é um combustível para fazer sua bicicleta andar mais rápido. “Sou conhecida como atleta bem acessível, gosto de conversar de igual pra igual. As pessoas já me conhecem como alguém assim. O Gugu escreveu a carta, é uma criança apaixonada por mountain bike e tem eu e o Avancini como ídolos. Esse é meu combustível, quero inspirar as pessoas.”

Aos 45 anos, ela compete na terça às 3h (horário de Brasília). “Estar no esporte por tanto tempo é por amor. Enquanto tem isso, aquela vontade de ter uma performance, você continua em alto rendimento. Tem pesquisas que mostram que fisiologicamente a mulher perde muito pouco até os 50 anos. Então nunca pensei na minha idade como se fosse algo que pudesse me limitar.”

A atleta chega à sua sétima Olimpíada igualando o recorde de participações de Robert Scheidt (vela), Formiga (futebol) e Rodrigo Pessoa (hipismo). Sua estreia foi em Atenas-2004 no MTB e participou em Pequim-2008. E esteve nos Jogos de Inverno de Turim-2006, Vancouver-2010, Sochi-2014 e PyeongChang-2018 no esqui cross-country (e em Sochi também no biatlo).

“Eu tenho tanta felicidade de poder representar meu país em sete Olimpíadas. É fazer história e festejar minha trajetória de abrir portas, de encarar o desconhecido. Minha presença aqui coroa a versatilidade e a vontade de romper barreiras. Eu tenho muita admiração por todos os atletas que estão indo para a sétima Olimpíada. Cada um tem sua história, é uma honra estar neste grupo”, comentou.

Para ela, esta será uma edição olímpica com muitas restrições e cheia de peculiaridades. “É uma Olimpíada bem diferente das que eu pude participar. Tem a pandemia, tive dificuldade de conseguir fazer o treinamento, precisei me adaptar a tudo. Acredito que vai ser a Olimpíada da esperança, mas estamos aqui para lutar. Muitos atletas não tiveram condições de treinar. Eu mesma não tive acesso à sala de musculação, precisei equilibrar o calendário. Mas tudo isso mostra resiliência dos atletas, que lutam contra todos os imprevistos.”

A prova de mountain bike é bastante física e até por isso Jaque precisou se reinventar para poder chegar a mais uma edição dos Jogos, ainda mais que sua última participação na modalidade foi 13 anos atrás. “Eu terminei minha carreira em 2008, magoada e chateada. Aí em 2018 resolvi voltar, foi pessoal. Consegui os pontos e de repente estava largando na Copa do Mundo para tirar esse ‘se’ da cabeça.”

Para além do esporte, Jaque escreveu um livro infantil, A menina que sonhava seguir o pôr do sol, no qual relata suas experiências olímpicas. Agora, espera ter mais histórias para contar

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Ketleyn Quadros volta aos Jogos depois de 13 anos com status de referência para geração campeã

Medalha de bronze em Pequim-2008, ela abriu caminho para nomes como Sarah Menezes e Rafaela Silva

Raphael Ramos / Enviado especial a Tóquio, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2021 | 05h00

Ketleyn Quadros não é mais aquela jovem de 21 anos que, nos Jogos de Pequim, em 2008, tornou-se a primeira brasileira a conquistar uma medalha olímpica em provas individuais com um bronze. A judoca estreia nesta segunda-feira (horário de Brasília) nos Jogos de Tóquio, 13 anos mais experiente e também como um dos grandes nomes da delegação brasileira. Não somente pelas suas conquistas, mas também por tudo o que representa ao judô do País.

Não à toa, foi porta-bandeira no desfile da cerimônia de abertura ao lado do levantador Bruninho, do vôlei, em mais um feito inédito para o esporte: pela primeira vez, mulheres e homens carregaram juntos o símbolo nacional no evento.

A estreia de Ketleyn no lendário Nippon Budokan será contra a hondurenha Cergia David. Depois de ficar de fora das duas últimas Olimpíadas, a brasileira está de volta aos Jogos disposta a escrever uma nova página da sua história com outra medalha, agora na categoria meio-médio até 63 kg - em Pequim, ela competiu na leve (57 kg). Para alcançar o bloco final de disputas em Tóquio (repescagem, semifinal, bronze e final), ela precisará passar, no mínimo, até as quartas de final.

"Olho para a minha carreira e vejo que não ter participado dos últimos dois Jogos Olímpicos me ajudou a crescer, a evoluir e a estar aqui. Sou muito grata e me sinto privilegiada”, diz Ketleyn.

Ketleyn é vista como uma pioneira no judô brasileiro por abrir caminho para a geração de Sarah Menezes, Rafaela Silva (campeãs olímpicas em Londres e no Rio, respectivamente) e Mayra Aguiar (bronze nas duas últimas Olimpíadas). Ao longo da carreira, amealhou 33 medalhas em eventos do Circuito Mundial da Federação Internacional de Judô e virou modelo de dedicação profissional para as mais novas.

E pensar que os planos da família Quadros para Ketleyn na infância passavam longe do judô. Matriculada pela mãe para fazer natação aos oito anos, ela faltava às aulas para assistir aos treinos de judô em Ceilândia, no Distrito Federal. Mas, conseguiu convencer a mãe que queria lutar judô e, a partir dali, não parou mais.

"Tenho 33 anos e uma vida dentro da modalidade. Não falo isso com peso não, eu amo o que eu faço", conta Ketleyn.

A judoca é o orgulho da família. Nos últimos dias, viralizou nas redes sociais fotos da faixa que a mãe de Ketleyn pendurou em frente da sua casa, em  Ceilândia, com a frase: "Minha filha Ketleyn Quadros está nas Olimpíadas de Tóquio."

Noiva do também judoca Alex Pombo (atleta olímpico em 2016), Ketleyn contou com a ajuda do companheiro em sua preparação para os Jogos de Tóquio, principalmente no período em que não pôde frequentar o seu clube, a Sogipa, em Porto Alegre, por causa da pandemia. O jeito, então, foi improvisar treinos adaptados em casa ao lado de Pombo.

"Vivi o sonho olímpico diferente, decidi viver o sonho dela, ajudar em tudo e em cada detalhe", contou Pombo nas redes sociais ao falar da noiva.

Nesta segunda-feira, o sonho do casal de judocas e da família Quadros pode virar realidade com mais uma medalha olímpica.

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