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Polícia da França faz buscas em casa de Arthur Soares em Paris

Empresário é suspeito de ser pivô de esquema para que o Rio fosse escolhido sede dos Jogos de 2016

Andrei Netto - CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2017 | 09h14

Uma residência do empresário brasileiro Arthur Soares, conhecido como "Rei Arthur", em Paris, na França, foi objeto de uma operação de buscas e apreensão na manhã desta terça-feira, coordenada pelo Ministério Público Financeiro. A informação foi obtida pelo Estado.

A residência é situada em 18 Rue Boccador, no oitavo distrito da capital francesa, um dos endereços mais caros de Paris, ao lado da Avenida Montaigne, uma das mais chiques de Paris.

Um funcionário da casa confirmou à reportagem que o apartamento é de propriedade de Arthur Soares. A pessoa informou ainda que nem o empresário, nem Eliane Cavalcante, sua sócia, estavam no local no momento das buscas da polícia. A funcionária, porém, não quis confirmar que houve buscas da polícia, nem o que foi apreendido pelos investigadores.

Arthur Soares é ex-proprietário do Grupo Facility, empresa que firmava contratos de prestação de serviços com o governo do Rio de Janeiro na época do governo de Sérgio Cabral. Nessa época, Facility somava contratos da ordem de R$ 3 bilhões.

As investigações realizadas pelo Ministério Público Financeiro de Paris, em parceria com o Ministério Público Federal do Brasil, indicam que outra empresa de Soares, a Matlock Capital Group, com sede em Miami, teria sido responsável por duas transferências de um total de US$ 2 milhões para membros do Comitê Olímpico Internacional (COI), que teriam recebido o dinheiro às vésperas da escolha do Rio como sede dos Jogos de 2016.

As suspeitas indicam que Soares seria o pivô de um esquema de propinas pagos em troca dos votos dos delegados do COI em favor do Rio. As empresas de Soares receberiam em retorno contratos com o governo do Estado.

Os procuradores da França e do Brasil suspeitam ainda que o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, teria não só articulado a campanha em favor da escolha do Rio, como participado ativamente do esquema de pagamento de propinas. A suspeita deu origem à operação Unfair Play, que está em curso nesta terça-feira.

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