Polícia proíbe multidão na principal avenida de Pequim

Telão não é ligado na avenida Wangfujin; população pretendia assistir cerimônia de encerramento dos Jogos

Daniel Piza, Enviado Especial - O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2008 | 16h55

No dia 8 de agosto a avenida Wangfujin, principal calçadão comercial do centro de Pequim, estava lotada de chineses de várias partes do país e de estrangeiros. Eles acompanharam por um telão patrocinado pela Lenovo - a empresa chinesa que comprou parte da IBM - a abertura da Olimpíada com muitos aplausos e grande excitação. Apesar das preocupações de policiais que colocaram algumas barreiras para evitar aglomeração excessiva, a avenida ficou lotada e tudo correu bem.Neste domingo a equipe do Estado voltou ao local para ver a festa do encerramento. Mas o telão estava desligado. Chineses e estrangeiros se acumulavam diante dele desde as 19h, para ver a cerimônia prevista para as 20h, e começaram a pedir: "Liga! Liga!" Como muitos telões estavam ativos na cidade, desde o Parque Chayoang até a Vila Olímpica, eles imaginavam que aquele ali fosse funcionar como 16 dias antes. As autoridades não atenderam ao clamor popular.Às 20h15, umas dezenas de guardas chineses - em seis cores diferentes de uniforme - começaram a chegar e a dispersar a multidão, gritando que o telão estava "quebrado" e que as pessoas deveriam ir para a Vila Olímpica para a festa de encerramento. Algumas resistiram. Mas a maioria atendeu aos comandos da polícia e aos poucos foi se retirando da avenida. Poucos ousaram contestar. Um homem com a camisa da Universidade Berkeley, Califórnia (EUA), deu entrevista a uma rede de TV inglesa dizendo que aquilo era "ridículo".Uma estudante de turismo chinesa, cujo nome ocidental é Katrina, declarou ao Estado que aquele era um "mau final" para uma Olimpíada tão bem-sucedida em outros aspectos. Então por que as pessoas estavam deixando a avenida? "Porque elas são assim", respondeu Katrina. Repórteres de países vizinhos como Malásia e Coréia do Sul filmaram a ação policial e colheram depoimentos de muitos estrangeiros indignados. Em meia hora, porém, a avenida já estava quase vazia.Veja mais na edição desta segunda de O Estado de S.Paulo

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