SERGIO MORAES | REUTERS
SERGIO MORAES | REUTERS

Polo aquático transforma Hungria em potência mundial

País tem o maior número de medalhas da categoria

Wilson Baldini Jr, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 07h00

A Hungria é uma das potências dos Jogos Olímpicos. E muito de seu histórico desempenho deve-se ao pólo aquático masculino. Dono de nove medalhas de ouro, 15 no total. Nenhum país subiu tanto no pódio nesta modalidade. Mas os húngaros tiveram de enfrentar a perde da hegemonia olímpica por 24 anos. “Estamos aprimorando uma equipe para dominar o mundo nos próximos anos”, profetizou Tamas Kasas, apontado como um dos melhores jogadores de defesa da história do pólo aquático.

E ele estava certo. Ao lado de Zoltán Szécsi, Tamás Molnár, Gergely Kiss, Tibor Benedek, Péter Biros, além do técnico Dénes Kemény, Tamas Kasas formou aquela que é apontada por muitos como o melhor time de pólo de todos os tempos. Capaz de ganhar o tricampeonato inédito (Sydney-2000, Atenas-2004 e Pequim-2008).

“As derrotas para Espanha e Itália na Olimpíada de Atlanta, em 1996, foram muito importantes para a formação daquele esquadrão”, disse Kasas, filho de Zoltán Kasas, renomado técnico húngaro, que foi medalha de prata em Munique-1972, campeão mundial em 1973 e europeu em 1974.

O primeiro ouro foi obtido em Sydney-2000, na Austrália, de forma irregular. Em formação, a equipe sofreu duas derrotas na primeira fase, mas conseguiu conjunto para superar adversários dificílimos como a Iugoslávia, na semifinal, por 8 a 7, e a Rússia, na decisão, por 13 a 6.

Com a confiança readquirida, a equipe deslanchou. Foi campeã mundial em 2003 e levantou o tricampeonato da Liga Mundial (2002, 2003 e 2004), com 11 jogadores do título olímpico em Sydney.

Por tudo isso, o segundo ouro olímpico consecutivo era uma questão de tempo. Mais maduro, o time foi equilibrado em Atenas desde os primeiros jogos. Foram seis vitórias até o confronto com Sérvia e Montenegro na final. Assim como na estreia dos Jogos, quando venceu por 6 a 4, os húngaros voltaram a sair da piscina com a vitória, desta vez por 8 a 7, e a garantia da segunda medalha de ouro consecutiva.

Mas o time levou um susto, ao sair atrás no placar (0 a 3) em poucos minutos de jogo. O grupo “acordou” no segundo tempo e um gol de Gergely Kiss, a dois minutos do fim, decretou o difícil triunfo. O tempo passou e as dificuldades aumentaram para o excelente time húngaro. Com quatro novatos em Jogos Olímpicos, a equipe chegou a Pequim sem o mesmo favoritismo de quatro anos antes na Grécia.

Pela primeira vez, nenhum título foi conquistado no ciclo olímpico. Derrota no Mundial para Croácia e três ligas mundiais para Sérvia e Montenegro, que se dividiu pouco antes dos Jogos de 2008. Na primeira fase, os montenegrinos arrancaram um empate em dez gols. Os times voltaram a se enfrentar na semifinal, mas aí valeu a maior experiência húngara para vencer por 11 a 9. A decisão foi contra os surpreendentes norte-americanos, que haviam superado a favorita Sérvia.

Os húngaros tiveram problemas para superar os Estados Unidos. Uma boa vantagem no placar só foi garantida no último período, graças às boas defesas do goleiro Zoltan Szecsi. O destaque norte-americano ficou para Tony Azevedo, autor de quatro gols na partida.

O time húngaro começou melhor e abriu 6 a 4 no primeiro período. No segundo quarto, os Estados Unidos voltaram melhor e diminuíram a desvantagem para apenas um gol. Intervalo com 9 a 8 para a Hungria. Na volta, os húngaros aproveitaram os erros de ataque dos norte-americanos, que desperdiçaram diversos arremessos na trave de Szecsi. Com isso, a Hungria abriu 11 a 9 no placar.

No período final, a experiência húngara prevaleceu. Apostando em contra-ataques rápidos, os campeões olímpicos chegaram a abrir uma vantagem de cinco gols e venceram por 14 a 10. A tradição húngara estava retomada, como havia previsto o craque Tamas Kasas, uma década antes.

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