Aleksandra Szmiegel/Reuters
Aleksandra Szmiegel/Reuters

Polônia concede visto à atleta olímpica de Belarus ameaçada de repatriamento

Corredora Krystsina Tsimanóuskaya criticou as autoridades esportivas de seu país no último domingo

Redação, O Estado de S. Paulo

02 de agosto de 2021 | 12h49

A atleta de Belarus Krystsina Tsimanóuskaya, ameaçada de repatriamento forçado para seu país após criticar as autoridades esportivas nos Jogos Olímpicos de Tóquio, recebeu um visto humanitário da Polônia nesta segunda-feira, 2.

O caso, que ganhou grande repercussão desde domingo, está inserido no contexto de repressão em Belarus, uma antiga república soviética localizada entre a Rússia e a União Europeia (UE) e governada com mão de ferro desde 1994 pelo presidente Alexander Lukashenko.

A velocista teme ser presa se retornar ao seu país, que, no último ano, vivenciou milhares de prisões e exílios forçados de opositores, assim como o fechamento de muitas ONGs e veículos independentes.

Na noite de domingo, 1, Tsimanouskaya alegou que teria sido forçada por seu técnico, Yuri Moiseyevitch, a deixar os Jogos Olímpicos. Horas depois, funcionários do Comitê Olímpico de Belarus a acompanharam até o aeroporto para que voltasse para seu país.

Poucos dias antes, a atleta havia criticado duramente a Federação de Atletismo de seu país por obrigá-la a participar do revezamento 4x400 metros. Inicialmente, ela teria de correr as provas de 100m e 200m. Segundo Tsimanouskaya, a imposição se deveu ao fato de dois outros velocistas de Belarus não terem passado nos controles antidoping.

A atleta foi escoltada até o aeroporto por funcionários do Comitê Olímpico Nacional de Belarus, onde deveria passar a noite em um hotel antes de voltar para casa. Durante a noite, porém, ela conversou com responsáveis do comitê de organização dos Jogos para que a ajudassem a não embarcar para Belarus. A atleta rejeitou o retorno forçado, porque diz ter "medo" de acabar na prisão.

A jovem era pouco conhecida antes deste caso, mas havia expressado publicamente sua simpatia pelo movimento anti-Lukashenko. Nesta segunda-feira, ela compareceu à embaixada polonesa em Tóquio, e o governo polonês confirmou ter-lhe concedido um visto humanitário.

Tsimanouskaya recebeu um visto humanitário, e "a Polônia fará o que for preciso para ajudá-la a continuar sua carreira esportiva", escreveu no Twitter o vice-ministro polonês das Relações Exteriores, Marcin Przydacz, cujo país recebe muitos dissidentes de Belarus. República Tcheca e Eslovênia também se ofereceram para acolhê-la. 

Seu marido, Arseni Zdanevitch disse que foi para a Ucrânia devido ao conflito entre sua esposa e as autoridades de Belarus, que ameaçaram a "segurança" do casal. Ele planeja se encontrar com ela na Polônia. Segundo Alexander Opeikin, diretor-executivo da Fundação de Belarus de Solidariedade Esportiva (BSSF), uma organização que apoia os atletas na mira das autoridades de Minsk, Krystsina Tsimanouskaya "está aguentando".  

"Está claro que é uma situação estressante, não apenas para os atletas, mas para qualquer pessoa que esteja submetida a uma pressão como essa", disse. Segundo outro responsável desta ONG, Anatoli Kotov, a velocista deve chegar à Polônia em um voo previsto para quarta-feira.

Nesta segunda-feira, o Comitê Olímpico Internacional (COI) confirmou que a atleta está segura no Japão. O governo japonês "seguirá cooperando estreitamente com as organizações envolvidas e tomará as medidas adequadas", tratando o caso "de acordo com a lei", disse o porta-voz do governo, Katsunobu Kato. 

Este incidente acontece enquanto o governo do presidente Alexander Lukashenko, cujo filho Viktor dirige o Comitê Olímpico Nacional, continua sua repressão dos ativistas pró-democracia. A televisão estatal de Belarus criticou a atleta, dizendo que ela "transformou sua participação em Tóquio em um escândalo grandioso".

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