Gabriel Huesi/ Reuters
Gabriel Huesi/ Reuters

Poluição e ventos atrapalham atletas na disputa do remo nos Jogos Olímpicos da Juventude

Local escolhido para a prova, Puerto Madero, é um dos principais cartões postais de Buenos Aires

Paulo Favero, enviado especial / Buenos Aires, O Estado de S.Paulo

08 Outubro 2018 | 05h03

A organização dos Jogos Olímpicos da Juventude escolheu o dique de Puerto Madero, cartão-postal de Buenos Aires e local de alta concentração turística, para fazer as competições de remo. No primeiro dia de disputa, que serviu para cronometrar o tempo dos atletas a fim de organizar as próximas etapas, o público lotou os bares, restaurantes e até as pontes que passam de um lado a outro.

"É um clima bem diferente do que já tinha visto. Ter bastante gente incentivando é legal e foi bonito de se ver", comentou Marco de Graaff, que fez o 13.º melhor tempo entre os 24 competidores no individual.

Aos 17 anos, ele treina na raia da USP, em São Paulo, e sentiu um pouco de dificuldade com o formato da competição ontem, pois cada atleta remava 500 m, contornava uma boia e depois remava outros 500 m. As provas de sua especialidade são de 2.000 m em linha reta. “Foi difícil para mim, diferente, pois me enrolei um pouco no contorno da boia. Vinha em um ritmo forte, precisei desacelerar, e depois não consegui pegar o mesmo ritmo novamente. Sou um atleta que é mais de resistência do que de explosão”, disse.

Um outro problema da prova é que, além de ela ser disputada em um local com águas poluídas, o formato de dique, com barreiras de pedra e cimento nas laterais, provoca muitas ondulações no percurso, sem contar o vento, que é constante nesta região de Buenos Aires.

"Parece que não tem vento, mas tem muitas ondinhas que fazem o barco quicar. Então é preciso muito equilíbrio para manter a remada", afirmou o garoto, esperançoso para os próximos dias da competição. "Fiquei tranquilo porque os meus primeiros 500 m foram bons."

Para Vanessa Varga, técnica de Marco, ele tem boas chances de brilhar nos próximos dias. "Ele tem chance de ficar entre os mais bem colocados”, explicou, lembrando que o formato inusitado da competição atrapalha, mas pode servir de aprendizado. “Isso ajuda a tirar o atleta de sua zona de conforto."

A treinadora também comentou que a condição da água está longe do ideal, mas nenhum problema foi detectado com os atletas. “A gente acaba tendo contato com a água, mas até agora não teve qualquer problema por causa disso. Encontramos outros competidores na Vila Olímpica e ninguém reclamou de nada”, comentou.

PÓDIO

O Brasil conquistou ontem sua primeira medalha nos Jogos Olímpicos da Juventude, que estão sendo disputados na Argentina. O quarteto da natação formado por André Calvelo, Lucas Peixoto, Rafaela Raurich e Ana Carolina Vieira chegou na segunda posição, ganhando a medalha de prata no revezamento 4 x 100m misto. O time da Rússia ficou com o ouro.

O expressivo resultado ocorre em uma disputa com homens e mulheres juntos, justamente em um evento que prega a igualdade de gênero. Para se ter uma ideia, pela primeira vez a quantidade de atletas mulheres é igual a de homens. São 4 mil esportistas no total, metade masculina e metade feminina.

 

 

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