Michael Madrid|USA Today Sports
Michael Madrid|USA Today Sports

Por Zika, delegação dos Estados Unidos é vigiada para os Jogos

Atletas olímpicos estão sendo monitorados pelas autoridades e intenção é evitar a contaminação do vírus na Olimpíada do Rio

Lena H. Sun, THE WASHINGTON POST

26 de maio de 2016 | 07h00

Funcionários dos EUA deram início a um esforço maciço para proteger atletas do país do vírus Zika, mesmo que ainda estejam aprendendo em tempo real sobre a misteriosa doença. Membros da delegação olímpica americana já vêm sendo monitorados contra o vírus ao viajarem para o Brasil, epicentro do surto que progride rapidamente.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) também está acompanhando a ameaça de que atletas e outras pessoas que virão aos Jogos Olímpicos possam acelerar o alastramento do vírus transmitido por mosquitos ao retornarem a seus países de origem. As medidas dão ideia de quão seriamente os EUA estão considerando a ameaça do Zika, especialmente seu efeito devastador em fetos. Não há vacina ou tratamento para a doença, que vem sendo associada a paralisia, cegueira e severos defeitos de nascimento.

Na segunda-feira, 11 senadores escreveram ao Comitê Olímpico dos EUA (CO) pedindo informações de como a entidade pretende proteger os atletas durante os Jogos e depois de retornarem ao país. Em resposta, o Comitê informou que um grupo especial para aconselhamento sobre moléstias infecciosas criado em março está fornecendo informações em tempo real sobre a Zika e outras doenças infecciosas.

Os atletas, além de serem informados sobre como se prevenir da picada do mosquito, serão hospedados em moradias com ar-condicionado e terão uniformes que cobrem pernas e braços. Também receberão camisinhas durante seis meses após viajarem ao Brasil, com base em recomendações do CDC.

A delegação americana deverá ter 2.630 membros, incluindo cerca de 815 atletas. Dos 550 atletas olímpicos, mais da metade serão mulheres. “Queremos ter certeza de que, se houver membros da delegação americana com sintomas da Zika, eles sejam testados rigorosa e prontamente”, disse o diretor do CDC, Tom Frieden.

Um estudo em andamento na Universidade de Utah vem monitorando a potencial infecção pelo Zika em cerca de cem voluntários, entre atletas olímpicos, treinadores e membros do CO. Pesquisadores testam regularmente sangue, urina e saliva desses voluntários desde março, quando viajaram para o Brasil em visitas preparatórias. Nenhum teste deu positivo até agora, disse Carrie Byington, a especialista em doenças infecciosas pediátricas que chefia o estudo.

O Comitê Olímpico Internacional insiste que os Jogos transcorram como o planejado. O CO deixa aos atletas a decisão individual de participar da competição. Apesar de muitos deles terem manifestado preocupação em serem expostos ao Zika no Brasil, poucos – pelo menos publicamente – foram ao ponto de desistir por esse motivo.

Marc Leishman, da Austrália, e Vijay Singh, de Fiji, ambos jogadores de golfe, anunciaram que não vão ao Rio por causa da Zika. Amir Attaran, professor e especialista em saúde pública da Universidade de Ottawa, acha que os Jogos deveriam ser cancelados ou realizados em outro lugar porque visitantes infectados por Zika no Brasil podem acelerar a propagação do vírus ao voltar para casa. “O Rio não está na vizinhança do surto, mas em seu centro”, disse Attaran. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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