Porta-voz de Putin questiona relatório e diz que Wada não apresentou provas

O porta-voz do presidente da Rússia, Vladimir Putin, afirmou nesta terça-feira que a Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês) não apresentou provas de que o país dá suporte a prática "sistemática" de doping no atletismo. Dmitry Peskov disse que as acusações da Wada "parecem não ter fundamento".

Estadão Conteúdo

10 de novembro de 2015 | 15h40

"Enquanto não houver evidências, é difícil considerar as acusações, que parecem não ter qualquer fundamento", declarou Peskov, ao tentar rebater as graves conclusões apresentadas por uma comissão da Wada. O grupo divulgou na segunda um aprofundado relatório no qual acusa o governo da Rússia de promover a manipulação de resultados no atletismo.

De acordo com a Wada, havia ainda suborno a dirigentes, compra de resultados, e o estabelecimento de laboratório secreto, no qual teriam sido destruídos mais de 1,4 mil amostras de sangue de atletas antes que fossem examinados. Para os investigadores, o uso de substâncias proibidas é "consistente e sistemático".

As conclusões do relatório da entidade podem causar sérias punições ao atletismo russo, incluindo a proibição de disputar competições internacionais, como os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Preocupado com as denúncias, o presidente da Federação de Atletismo da Rússia, Vadim Zelichenok, pediu às autoridades internacionais que os atletas russos não sejam impedidos de competir no Rio. "Esperamos prudência da comissão da IAAF", afirmou o dirigente russo, referindo-se à Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês).

Na segunda, o presidente da IAAF, Sebastian Coe, se mostrou indignado com as denúncias e prometeu tomar todas as decisões para punir os eventuais envolvidos no caso. As duras declarações de Coe, que prometeu resgatar a credibilidade do atletismo mundial, receberam até elogios do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Vadim Zelichenok deve participar da reunião que Wladimir Putin terá com líderes esportivos da Rússia nesta quarta-feira. De acordo com o Kremlin, o encontro já estava agendado antes da divulgação do polêmico relatório da Wada e deve tratar somente da preparação dos atletas russos para a Olimpíada.

LABORATÓRIO - A punição mais imediata sofrida pelo esporte russo foi o descredenciamento do laboratório de Moscou, que seria o responsável por testar todas as amostras da Copa do Mundo de 2018. Para o diretor-executivo da Agência Antidoping da Rússia, Nikita Kamaev, o ato da Wada é "um completo nonsense".

Além de pedir o descredenciamento do laboratório, a Wada soliciou a demissão do diretor do órgão, Grigory Rodchenkov. Segundo o relatório da entidade, o local sofria intervenções constantes, até mesmo do serviço secreto russo.

Kamaev confirmou que o laboratório paralisou suas atividades, mas não confirmou a demissão do seu diretor. "O laboratório parou de funcionar, isso é verdade. Mas a Agência Antidoping da Rússia, não", declarou o responsável pela agência.

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