Luisa Baptista / Acervo Pessoal
Atletas brasileiros do triatlo estiveram em Portugal para treinos em 2019 Luisa Baptista / Acervo Pessoal

Portugal tem quatro bases à disposição para atender aos treinamentos dos brasileiros

Coimbra, Cascais, Sangalhos e Rio Maior serão usados; Atletismo e judô têm maior número individual de atletas

Andreza Galdeano, Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2020 | 05h00

O Time Brasil terá quatro bases para treinamento em Portugal: Coimbra (judô), Cascais (vela) e Sangalhos (ginástica artística e rítmica), além do CT de Rio Maior. Até o momento, atletismo e judô aparecem na lista das modalidades individuais com o maior número de atletas, somando 28. Na sequência estão: boxe e natação (22), wrestling (10), ginástica rítmica e saltos ornamentais (7), taekwondo, ginástica artística masculina e triatlo (6), ginástica artística feminina e vela (4), nado artístico (2) e maratona aquática (1).

Entre os esportes coletivos, vão para a Europa as equipes de handebol (feminino e masculino, com 18 atletas cada) e de rúgbi sevens (feminino, com 15).

Além dos mais de 200 atletas para essa janela de preparação, o Comitê Olímpico do Brasil (COB) vai levar para Portugal todo o seu staff com médicos e fisioterapeutas. Muitas confederações também vão contar com alguns dos seus especialistas nessas área, além de preparadores físicos e treinadores. Pelo acordo, o comitê poderá usar os locais por até 180 dias, ou seja, até o final do ano teremos atletas brasileiros fazendo a preparação em Portugal.

Segundo Eduardo Fischer, diretor de natação da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), as bases apresentam ótimas condições para a prática esportiva, principalmente o CT de Rio Maior. “A estrutura é de excelência, um centro esportivo já conhecido pelos nossos atletas. Então toda a estrutura é muito boa, tanto em termos de piscina como musculação, refeitório, hotelaria... O complexo conta com alojamento de alta qualidade. É uma estrutura muito boa, que já possui um protocolo de segurança. E as refeições vão ser feitas lá”, conta.

Quem também ficará em Rio Maior são os atletas de triatlo. Luisa Baptista esteve lá no ano passado, antes do Mundial. “É um local excelente. Sempre usamos quando estamos na temporada europeia”, diz.

A delegação de judô vai utilizar a estrutura de Coimbra e boa parte dos atletas que estarão nos Jogos de Tóquio (a classificação ainda está em andamento) marcará presença em Portugal. “Estamos atravessando um momento bastante difícil e, com certeza, a saída dos atletas para um ambiente em que eles se sintam melhor, em que possam realmente se movimentar e treinar, será extremamente salutar nesse período de reinício das atividades de atleta”, explicou Ney Wilson, gestor de Alto Rendimento da Confederação Brasileira de Judô.

Tudo o que sabemos sobre:

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Portugal se torna novo lar de atletas brasileiros em preparação para a Olimpíada

Com centros de treinamento fechados pela covid-19, 207 esportistas de 15 modalidades vão treinar na Europa

Andreza Galdeano, Paulo Favero, O Estado de São Paulo

28 de junho de 2020 | 05h00

A pandemia do novo coronavírus fez o Comitê Olímpico do Brasil (COB) antecipar seu projeto de utilização de centros esportivos em Portugal como base para os atletas. A entidade tinha fechado um acordo visando à preparação para os Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, mas aproveitou os contatos para enviar uma delegação nas próximas semanas para treinamento em solo português de olho em um bom desempenho para os Jogos de Tóquio, que foram adiados e serão realizados no próximo ano. Ao todo serão 207 atletas de 15 modalidades diferentes e o programa terá um custo de aproximadamente R$ 15 milhões com a logística.

A principal base do Time Brasil será o Centro de Treinamento de Rio Maior, um equipamento público-privado que fica a 75 quilômetros de Lisboa. “Estamos passando por um momento delicado aqui no Brasil, onde inúmeras piscinas ainda se encontram fechadas para treinamento e muitos atletas não estão conseguindo ter uma qualidade de treino digna de uma preparação olímpica. Então juntar uma seleção brasileira num local de alto rendimento é, sem duvida, uma expectativa altíssima de retorno aos treinos com qualidade e segurança”, diz Eduardo Fischer, diretor de natação da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), em entrevista ao Estadão.

Por causa da pandemia, as competições e treinamentos esportivos foram paralisados no mundo inteiro. Até por isso, a Olimpíada de Tóquio, marcada para julho e agosto, foi adiada por um ano a fim de possibilitar que os atletas tivessem uma preparação mais adequada. Como o Brasil está no epicentro da doença no mundo atualmente, muitos não estão conseguindo praticar suas modalidades.

Até o Centro de Treinamento do Time Brasil, dentro do Parque Olímpico, na Barra da Tijuca, no Rio, foi fechado e ainda não foi reaberto. Isso fez com que praticamente todos os atletas de elite nacionais não tivessem condições para um treinamento de alto nível em um momento importante.

Diante desse cenário, o objetivo do comitê é oferecer a possibilidade de retorno aos treinos com segurança durante a pandemia em um país como Portugal, que foi eficiente no combate ao coronavírus. Está previsto um protocolo de segurança com testes antes e depois do desembarque na Europa, além de um período de isolamento de 24 a 47 horas para fazer a análise desses exames.

“A ideia é levar atletas que no ano de 2019 já alcançaram o índice olímpico em alguma competição oficial. Nós já temos os tempos mínimos necessários para a participação olímpica e criamos um critério para selecionar todos esses atletas. Esse grupo está respondendo para a confederação para saber quem tem interesse de fazer a ação, já que ela é totalmente opcional”, explica Fischer, que ainda não tem fechada a lista de atletas que vão para Portugal.

PROJETO

De acordo com Paulo Wanderley, presidente do COB, os atletas devem embarcar por volta de 10 de julho e o projeto vai até dezembro. “Vamos fazer um rodízio e uma grande logística porque não podem viajar todos ao mesmo tempo e é preciso conseguir espaço nos voos”, afirma. “O projeto foi criado pela necessidade de dar segurança e para ser o nosso ponto chave na preparação para Paris, nos Jogos de 2024. Já era uma base avançada para nós, então foi relativamente fácil conseguir essa parceria com eles”, complementa.

Para Jean-Luc Jadoul, CEO da Confederação Brasileira de Rugby (CBRu), a iniciativa é muito importante neste momento para as modalidades olímpicas. “Estamos aguardando um posicionamento sobre a volta das competições oficiais para poder planejar a ida de 15 atletas da seleção brasileira feminina de rúgbi sevens. Com as datas em mãos, conseguiremos planejar esse período de treino na Europa”, revela.

Tudo o que sabemos sobre:

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.