Pilar Olivares/ Reuters
Pilar Olivares/ Reuters

Prata em Tóquio marca fim de geração na seleção feminina de vôlei com despedida de titulares

Fernanda Garay, Camila Brait e Carol Gattaz não devem voltar a vestir o uniforme da equipe nacional

Paulo Favero e Raphael Ramos, enviados especiais/ Tóquio, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2021 | 05h40

A medalha de prata conquistada neste domingo pela seleção feminina de vôlei nos Jogos Olímpicos de Tóquio marca o início de um processo de transição dentro da equipe. Algumas jogadoras sairão de cena, enquanto outras passarão a ter mais espaço de olho no planejamento para a Olimpíada de Paris, em 2024.

Fernanda Garay, que já havia anunciado a sua aposentadoria das quadras, confirmou neste domingo, após a derrota para os Estados Unidos, que não jogará mais. “Encerro minha jornada pela seleção muito orgulhosa do que fiz. Fiquei muito feliz por tanto carinho que a gente recebeu. A gente foi abraçada, não tenho dúvida de que as pessoas viram nossa entrega Não vou jogar a próxima temporada, vou dedicar um tempo para mim”, disse, chorando, a agora ex-jogadora de 35 anos.

A líbero Camila Brait, 32 anos, continuará jogando, mas não mais pela seleção. “Foi minha primeira e última Olimpíada, mas saio com um pódio”, afirmou. “Realizei esse sonho de disputar uma Olimpíada, veio a prata e estou muito feliz. Meu sentimento é de gratidão e de dever cumprido. Valeu a pena ter ficado longe da minha família, mas ano que vem eu não volto. Tenho outros planos para mim daqui para frente.”

O técnico José Roberto Guimarães, no entanto, ainda espera contar com Fê Garay e Camila Brait pelo menos no Campeonato Sul-Americano. O torneio será disputado no próximo mês e é classificatório para o Mundial.

Medalhista mais velha do País entre as mulheres de todas as modalidades, a central Carol Gattaz, aos 40 anos, passa o bastão para a nova geração. “O time vai ter de sofrer uma renovação. Quem for vai precisar de rodagem, mas vai renovar bem. Temos grandes jogadoras vindo, meninas altas e boas. Mas as coisas acontecem com o tempo. Com o passar dos anos, elas vão ter o entendimento do que é uma seleção brasileira. Vão ter de começar a montar um ciclo novamente”, disse.

Dentro desse processo de mudança da equipe, a oposto Rosamaria deve ser um dos pilares da seleção até Paris-2024. A jogadora de 27 anos encerra os Jogos de Tóquio fortalecida após boas atuações e bem avaliada por substituir à altura Tandara, flagrada no exame antidoping. “Saio mais experiente e mais confiante. A Olimpíada foi um divisor de águas, mostrei para mim mesma que poderia realizar esse sonho. A gente sabe que o caminho, por mais que seja mais curto, são apenas três anos, é um caminho longo. Muita coisa vai mudar na seleção, rostos novos, mas espero fazer parte do grupo.”

Gabi, também de 27 anos, é outra que faz projeções de olho na próxima Olimpíada. “Conquistamos uma prata que vale como ouro, por tudo que passamos. Não éramos favoritas e mostramos que tínhamos capacidade. Não largamos a mão uma da outra em momento algum. Individualmente não somos a melhor equipe, mas, se jogarmos com essa entrega, temos boas chances em Paris.”

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