Fredy Uehara/Uehara Fotografia
Fredy Uehara/Uehara Fotografia

Prefeito do Rio defende financiamento do setor privado na Olimpíada

'Como o poder público vai cuidar de um campo de golfe se a gente capina muito mal os canteiros da cidade?', questiona Eduardo Paes

Nathalia Garcia, O Estado de S. Paulo

26 de maio de 2015 | 16h42

"Como o poder público vai cuidar de um campo de golfe se a gente capina muito mal os canteiros da cidade?", indaga o prefeito do Rio. Com esse exemplo, Eduardo Paes tenta fortalecer o modelo de legado esportivo que propõe após os Jogos Olímpicos de 2016. Para ele, é preciso um molde de gestão que dependa o mínimo possível do setor público.

Paes tentou ganhar apoio dos empresários durante um seminário do Grupo de Líderes Empresariais (Lide), presidido por João Doria Jr., chefe de delegação do Brasil na Copa América, nesta terça-feira, em São Paulo. De acordo com o prefeito, o Rio está organizando os "Jogos da economia de dinheiro público". O orçamento - dividido em Comitê Organizador, Matriz de Responsabilidades e Legado -, totaliza R$ 38,2 bilhões, sendo 57% de recursos privados e 43% de verba pública. 

Neste contexto, o futuro do Parque Olímpico ainda está em aberto. Parte do terreno de 1,18 milhão de m² será transformado em um novo bairro, do tamanho do Leme, já as instalações esportivas fixas serão usadas como um Centro Olímpico de Treinamento, designado para os atletas de alto rendimento de todo o País. Como o alcance do legado é nacional, Eduardo Paes defende que a manutenção seja de responsabilidade do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e do governo federal e também possa contar com um auxílio privado para evitar que a estrutura seja afetada em caso de contingência orçamentária.

"É uma propriedade do Município (do Rio). Estamos discutindo com o governo federal e com o COB para ver o que eles pretendem fazer. A melhor proposta, a que eu achar que de fato vai acontecer, vai ser aquela que a Prefeitura do Rio vai fazer. Quem decide é a Prefeitura do Rio. É um Centro Olímpico de Treinamento nacional, não tem por que o carioca pagar por isso. Como essas coisas no Brasil são confusas, a gente está tentando ajudar na construção de um modelo que permita entrada privada e a coisa possa se desenvolver independende dos ajustes fiscais da ocasião", afirma.

Nesta terça-feira, o prefeito do Rio reafirmou que as obras para a Olimpíada do Rio estão dentro do cronograma e descartou que a exclusão do Parque Aquático Julio Delamare dos Jogos, anunciada na última quinta, seja um indício de atrasos. Paes destaca que foi uma manobra "inteligente" de economia e apontou que as provas preliminares do polo aquático devam ser manejadas para o Maria Lenk.

Outro problema enfrentado pelo Rio de Janeiro é a poluição da Baía de Guanabara. Paes reconhece que a cidade desperdiçou os esforços para garantir a limpeza total da região, mas enfatiza o trabalho que tem sido feito até agora. "A gente deixou de lado essa oportunidade, mas tem um lado positivo, já estamos em 55% do esgoto tratado." Ele ressalta que a área de competição é a mais limpa da Baía e acredita que o lixo não será um problema para os competidores.

Além da questão ambiental, a cidade também passa por intervenções na mobilidade urbana. A previsão é que em 2016 a rede de transporte de alta capacidade - metrô, BRT (corredores expressos de ônibus) e VLT (veículo leve sobre trilhos) - beneficie 63% da população fluminense. O prefeito garante que tudo será entregue até o ano que vem. "A possibilidade (de ficar para depois do Jogos) é zero, vai ficar tudo pronto antes."

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.