Manan Vatsyayana| AFP
Manan Vatsyayana| AFP

Presidente do COI não teme boicote ao Rio-2016 por impeachment

Thomas Bach afirma que interino Temer mostrou 'responsabilidade' com Rio-2016 e o convidou para reunião no Planalto, em junho

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2016 | 07h58

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, afirmou que ficou "satisfeito" com as garantias dadas pelo presidente interino, Michel Temer, e que não teme que críticas de alguns governos estrangeiros contra o impeachment sejam traduzidas em um boicote contra à Olimpíada no Rio de Janeiro. Os dois se falaram pelo telefone na segunda-feira pela primeira vez desde que Dilma Rousseff foi afastada. 

"O presidente Temer foi muito claro, tanto em seu compromisso pessoal, como de seu governo, de fazer tudo para que os Jogos sejam um êxito, não apenas ao Brasil, mas para todo o movimento olímpico", disse Bach nesta quarta-feira, ao responder a uma pergunta do Estado. "Horas depois de nossa conversa, ele tomou medidas ao chamar todos os ministros envolvidos para uma reunião", disse. "Isso é uma demonstração clara de determinação e responsabilidade", elogiou Bach.

O dirigente ainda apontou que foi convidado para se encontrar com Temer, em sua próxima viagem ao Brasil, em junho. No COI, fontes próxima ao presidente Bach apontam que a entidade passou "anos" ignorada pelo Palácio do Planalto e que foi apenas nos últimos meses do governo de Dilma Rousseff que Brasília passou a dar atenção aos Jogos. "Ele me convidou para se reunir com ele em junho e discutir qualquer tipo de problemas", disse Bach. O alemão confirmou que, em resposta, disse a Temer que tem "total confiança no sucesso do evento". 

Bach ainda deixou claro que não teme um boicote internacional contra o Brasil por causa do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Desde a semana passada, governos como os da Venezuela, Cuba, Bolívia, a chefia da Unasul e partidos de esquerda na Europa têm denunciado um "golpe de estado" promovido no País com o afastamento de Dilma. "Não temo isso", disse Bach, questionado se esse movimento poderia ser traduzido em algum tipo de apelo a um boicote internacional ao evento. "Minha resposta é clara: não", insistiu. 

O Estado conversou com o Comitê Olímpico da Venezuela que, por meio de sua assessoria, deixou claro que não tinha intenções de promover um boicote contra os Jogos do Rio. Mas admitiu que, se houvesse uma decisão, ela viria do governo de Caracas. No início da semana, o novo ministro dos Esportes, Leonardo Picciani, respondeu a um jornalista estrangeiro sobre o risco de um boicote, apontando que esse tema estava sendo conduzido pelo Itamaraty. Na Chancelaria, fontes de alto escalão negam que esse seja um tema hoje.

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