Presidente do COI diz que Pequim-2008 foi excelente

Jacques Rogge, entretanto, não convenceu quando o assunto foi liberdade de imprensa e direitos humanos

EFE

24 de agosto de 2008 | 13h22

O belga Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), disse neste domingo que os Jogos de Pequim foram excelentes, e que superá-los será "um difícil desafio para Londres e as próximas cidades organizadoras".   Veja também:Balanço da Olimpíada de Pequim   "China estabeleceu padrões muito altos e será um desafio muito difícil a ser superado para Londres e as próximas cidades organizadoras. Minha esperança é que Londres tem capacidade para isso, e aí teremos alcançado nosso objetivo: que o Movimento Olímpico evolua", comentou.   Na entrevista coletiva final sobre os Jogos, o dirigente lembrou as conquistas como um acesso mais amplo à internet, permitido pelo duro regime chinês, e os cuidados ao meio ambiente mostrados durante todo o evento.   "Cada cidade teve sua marca. Atenas foi uma volta às raízes dos Jogos, aqui estamos na nação mais povoada da Terra e Londres será a cidade do país que fez as regras do esporte moderno. Londres também é uma cidade cosmopolita, multicultural e multirreligiosa", completou.   Rogge registrou também os poucos casos de doping durante a competição. "Até o momento só foram detectados seis positivos, mas os resultados ainda estão chegando e podemos ter mais", comentou o presidente do COI, lembrando os 12 incidentes deste tipo com atletas em Sydney-2000 e os 26 em Atenas-2004.   "Se aqui houve menos casos, é porque o efeito dissuasório funcionou com mais controles preventivos e também durante os Jogos. Passamos de 3.500 atletas em Atenas para 4.500 agora. Acredito firmemente que a maioria dos atletas está limpa e são poucos os que fazem coisas como esta, estragando a imagem do esporte", comentou.   Perguntado sobre as restrições de acesso à internet, o dirigente belga disse: "Sempre pedimos à China para que desse o mais amplo acesso possível. Quando descobrimos que alguns portais estavam fechados, agimos imediatamente", comentou.   "Sabemos que a situação não foi perfeita, mas devemos lembrar que melhorou muito se comparamos à situação de antes dos Jogos", completou.   Rogge se mostrou convencido de que o evento exerceu uma influência positiva neste aspecto, mas disse: "Não esqueçamos uma coisa, o COI não tem competência sobre a internet, e sim o Governo chinês".   Quanto às detenções de pessoas que protestavam pela falta de direitos humanos ou a situação no Tibete, assim como a recente detenção de duas idosas dissidentes e condenadas a um ano num campo de reeducação, Rogge afirmou: "Discutimos a questão com o Bocog e eles nos disseram que a lei chinesa foi aplicada, e isso é algo que temos de respeitar".   "O Governo chinês nunca prometeu que haveria zonas para manifestações. Foi o COI que pediu, embora não fizesse parte do contrato de obrigações assinado com a cidade organizadora. Sabemos que atos foram solicitados, mas nunca tivemos conhecimento de que eles realmente ocorressem", admitiu.   Rogge lembrou que a China avançou muito em questões relativas ao meio ambiente e não só durante os Jogos, com reflorestamento e proibição de veículos poluentes, entre outras medidas. "Este é outro dos legados dos Jogos", afirmou.   "A China foi criticada por toda a humanidade nos últimos dias, mas o mundo aprendeu com a China e vice-versa. Estou realmente muito satisfeito com os Jogos, as belas instalações e a organização impecável", comentou o presidente do COI.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.