Wilton Junior/Estadão
Wilton Junior/Estadão

Rio-2016 não ocorreu numa bolha, conclui Bach

Presidente do COI dá declaração em sua última coletiva antes do encerramento

Jamil Chade, Estadão Conteúdo

20 Agosto 2016 | 12h14

Os Jogos no Rio ocorreram “no meio da realidade” e “não numa bolha”. Quem faz a declaração é o presidente do COI, Thomas Bach. Em sua última coletiva de imprensa às vésperas de encerrar o evento, ele voltou a defender o uso de dinheiro público no evento, insinuando que era uma obrigação já estabelecida em contratos.

Questionado se soubesse como teria sido difícil a situação do Brasil se teria ainda assim escolhido o Rio em 2009, ele insistiu que sim. “Não lamentamos ter levado o evento ao Brasil. Foram Jogos icônicos. Foi um evento no meio da realidade. Não foi organizado numa bolha. Mas numa cidade com problemas sociais, com divisões e onde a vida continua. Isso foi muito bom para todos, para estar próximo à realidade e não 16 dias numa bolha ou isolado”, disse. 

“Enfrentamos a realidade e encaramos. Colocar esporte em perspectiva. Existe limites ao poder do esporte”, admitiu.  Bach  chegou a reconhecer que o evento sofreu com “problemas de segurança”. “Mas isso é parte da realidade social. Não ocorre apenas nos Jogos. Temos uma situação especial de segurança e sabíamos quando chegamos aqui. E achamos que brasileiros lideram com isso de forma apropriada”, disse. 

Bach, porém, insistiu que o evento está ocorrendo sem dinheiro público, apesar de o governo federal e município ter anunciado R$ 250 milhões para bancar buracos nos déficits dos eventos. “Não existe dinheiro público. É tudo privado. Infra-estrturua é também em parte financiada por recursos privados como plano de desenvolvimento da cidade. Ninguém tem duvidas de que esse investimentos eram bons e criaram milhares e milhares de empregos. Imagine onde o Rio estaria sem eles. Por décadas, não houve investimento real. Imagine onde o rio estaria. A história e os cariocas vão falar do Rio antes e depois do evento”, disse.  

Bach também negou que os custos dos Jogos tenham explodido nos últimos dias, diante de contratos de última hora para pagar pelos contratos de emergência. “O orçamento parece ter ficado abaixo do que previam. Isso foi graças a economias. A infraestrutura não é para os Jogos. O metrô não é para 17 dias. Mas gerações vão se beneficiar. Os jogos serviram como catalista para o desenvolvimento”, disse.

O alemão, porém, não deixou de lamentar os lugares vazios nos estádios. “Foi uma pena, principalmente nos primeiros dias”, disse. “Os estádios não estavam lotados. As vendas foram bem lentas nos ingressos. Mas foram excitantes”, completou. 

Para Bach, o “mundo conheceu melhor o Brasil”. “Conhecemos os desafios desse lugar do mundo, da alegria. Isso só ajuda no futuro a um melhor entendimento”, disse.

Em sua avaliação, tudo isso fez da Rio-2016 um evento “autêntico”. “O COI mostrou que e possível ter Jogos em países que não estão no topo do ranking do PIB mundial. Foi um evento que mostrou solidariedade. Estamos prontos a encarar a realidade social”, disse. Para ele, porém, o evento apenas foi possível graças à flexibilidade das federações esportivas internacionais que abriram mão de exigências. “Foi isso que permitiu o sucesso”, declarou.

 

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