Filip Singer/EFE
Filip Singer/EFE

Presidente do COI propõe reforma radical das operações da Wada

Entidade revela proposta após eclosão de escândalos de doping

Estadão Conteúdo

20 de novembro de 2015 | 13h20

O presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Thomas Bach, propôs nesta sexta-feira uma reforma nas operações da Agência Mundial Antidoping (Wada, na sigla em inglês), incluindo a criação de uma unidade independente e profissional de testes para coleta de informações que evitariam a ocorrência de escândalos como o que hoje afeta o atletismo da Rússia.

Em uma mudança radical, Bach também recomendou que todas sanções por doping sejam entregues ao Comitê Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês), em vez de serem repassadas a organismos esportivos de suas respectivas modalidades ou para a Wada.

O dirigente alemão ainda afirmou que o presidente do Comitê Olímpico Russo, Alexander Zhukov, já o adiantou sobre "importantes primeiros passados" que tomou para reforçar o programa antidoping do país, depois de a Federação Russa de Atletismo ter sido suspensa pela Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês). A entidade mundial resolveu punir os russos por entender que casos de doping ocorrem de forma sistemática no país, onde os mesmos vinham sendo acobertados, segundo relatório da Wada que provocou a suspensão.

Bach falou sobre estes assuntos em um discurso dado na abertura da assembleia geral dos Comitês Olímpicos da Europa, em Praga, na República Checa, onde dirigentes russos marcaram presença entre os delegadas do evento.

Um mês atrás, uma cúpula de líderes olímpicos propôs que testes antidoping fiquem fora das mãos de organizações esportivas, e que a Wada deveria assumir estes testes de uma maneira global para dar mais credibilidade aos mesmos. Líderes da Wada, por sua vez, prometeram estudar a ideia nesta semana.

Nesta sexta, Bach definiu propostas para a WADA considerar, com o objetivo de assegurar um "simplificado, eficiente e mundialmente harmonizado sistema antidoping", assim como destacou que a adoção destas propostas levariam a um sistema "mais transparente" e "mais ágil", sendo que o mesmo "protegeria melhor os atletas limpos e reforçaria a credibilidade dos esportes".

RIO-2016

Ao mesmo tempo, Bach afirmou que a Wada lideraria um programa de coleta de informações financiado pelo COI para fazer testes antidoping mais independentes possíveis já visando a Olimpíada do Rio, em 2016, para qual o atletismo russo está ameaçado de ficar fora por seu envolvimento com doping.

"Testes fora de competição durante os Jogos Olímpicos também serão guiados por este grupo de inteligência da Wada para torná-los mais direcionados e eficazes", disse Bach, que mais cedo falou com o presidente do Comitê Olímpico Russo, Alexander Zhukov. Ele último garantiu ao líder do COI que "alguns primeiros passos importantes" foram tomados pelo país para colocar a casa em ordem na luta contra o doping.

A Federação Russa de Atletismo foi provisoriamente suspensa pela IAAF há uma semana, depois de um relatório de uma comissão nomeada pela Wada, que acusou a Rússia de operar um programa de doping que seria apoiado pelo próprio governo russo. Com a suspensão, os competidores de atletismo da Rússia estão banidos de participarem de competições internacionais e ainda correm o risco de ficarem fora dos Jogos do Rio.

Zhukov está supervisionando os esforços da Rússia para punir atletas e dirigentes envolvidos com uso de doping, para reformar a federação de atletismo do país e para que a mesma fique alinhada com as regras antidoping. "Esses importantes passos incluem a renovação, incluem novas pessoas, incluem também novos inquéritos", afirmou Bach nesta quarta.

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