Eric Gaillard/Reuters
Eric Gaillard/Reuters

Presidente do Comitê Olímpico Japonês nega subornos para sediar Tóquio-2020

Tsunekazu Takeda afirma que irá provar 'inocência' em investigações sobre pagamento de subornos a membros do COI para beneficiar candidatura japonesa

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2019 | 04h40

TÓQUIO - O presidente do Comitê Olímpico Japonês (JOC, na sigla em inglês), Tsunekazu Takeda, negou nesta terça-feira, 15, o pagamento de subornos para favorecer a candidatura de Tóquio para a sediar os Jogos Olímpicos de 2020. O dirigente é alvo de investigações abertas na França sobre vantagens indevidas a membros do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Takeda foi alvo de acusações de corrupção ativa por parte da promotoria francesa devido à suposta compra de votos em 2013 para favorecer Tóquio em detrimento de Madri e Istambul, na Turquia.

"Continuarei cooperando plenamente com as autoridades francesas e farei todos os esforços possíveis para poder provar minha inocência", disse Takeda, durante seu discurso.

Promotores franceses investigam o pagamento realizado pela candidatura de Tóquio para a Black Tidings, empresa de consultoria com sede em Singapura, no valor de 230 milhões de ienes (cerca de US$ 2,12 milhões) e realizada pouca antes da escolha da cidade japonesa como sede dos Jogos Olímpicos de 2020. As autoridades acreditam que a transferência oficialmente destinada para a elaboração de dois relatórios eram direcionadas para subornar membros africanos do Comitê Olímpico Internacional (COI) por meio da Black Tidings.

Considerado um dos principais artífices da vitória de Tóquio, Takeda afirmou na sexta, 11, em comunicado à imprensa, que as transferências investigadas são legítimas e se tratou de uma "remuneração adequada por um trabalho de consultoria". Segundo o dirigente, os documentos relacionados à transferência foram alvo de investigação do governo japonês e nenhuma irregularidade foi encontrada.

A Black Tidings está vinculada a Papa Massata Diack, filho do ex-presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF, sigla em inglês), Lamine Diack, que renunciou em 2014 do seu cargo nesta organização internacional na sequência de um escândalo de suborno por doping na Rússia.

Os investigadores franceses suspeitam que o dinheiro japonês circulou através dessa empresa antes de chegar aos bolsos do filho de Diack, a fim de que ele aproveitasse seus contatos entre os comitês africanos para fazer campanha a favor de Tóquio.

Foi precisamente a investigação aberta em 2016 contra o ex-dirigente senegalês e seu filho, ambos acusados na França por suposta corrupção, que revelou esses pagamentos suspeitos e levou à Justiça francesa a também investigar o presidente do JOC. /EFE

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