Marcio Fernandes/Estadão
Marcio Fernandes/Estadão

Chances de indígenas serão maiores em 2020, diz dirigente

Afirmação é de Vicente Blumenschein, presidente da confederação

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2016 | 17h00

O sonho de Vicente Fernando Blumenschein, presidente da CBTArco (Confederação Brasileira de Tiro com Arco), é ter atletas indígenas defendendo o Brasil nos Jogos Olímpicos. Ele sabe que na seletiva tudo pode acontecer, mas acha que o objetivo será alcançado em breve. “Um dia vamos ter um atleta indígena. As chances são reais, mas a possibilidade maior é para os Jogos de 2020. Claro que se fosse agora não seria surpresa. Acredito que eles tenham entre 30% e 40% de chance”, explica.

A australiana Cathy Freeman, ouro nos Jogos de Sydney, em 2000, serviu de inspiração para o projeto Arqueria Indígena, da Fundação Amazonas Sustentável (FAS). A atleta, aborígine, foi ouro nos 400 m. “Ela uniu o país na final e foi campeã olímpica”, conta Aníbal Forte, técnico da FAS.

Na primeira seletiva, em São Paulo, os atletas indígenas não foram bem. Mas restam ainda mais três etapas e um resultado será descartado. Dificilmente atletas como Marcus Vinicius D’Almeida, melhor arqueiro do País, e Bernardo Oliveira, em grande fase, vão ficar fora dos Jogos do Rio.

A seletiva da CBTArco dá aos dois mais bem colocados no masculino e feminino a vaga olímpica, mas as outras duas, sendo uma para suplente, serão definidas pela comissão técnica. “Fizemos isso para evitar que, caso um atleta muito bom se machuque e perca a seletiva, mesmo assim ele não estará necessariamente fora”, diz Vicente.

O dirigente conta que, até em uma reunião de trabalho do Comitê Olímpico do Brasil (COB) com outros presidentes de confederações, falou sobre o fato de o País poder ter o primeiro atleta indígena. A expectativa pela possibilidade é grande.

“Gostaria de ter indígena e negro na seleção, mas não é marketing, pois meu marketing é melhor se conseguir uma medalha nos Jogos do Rio. É questão técnica. Eles são talentosos. Se não fossem, não estariam ali”, avisa Vicente, lembrando que a CBTArco já está espalhando a ideia. “Vamos incentivar outros estados, como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, a buscar atletas indígenas. Vem mais por aí”. 

 

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