Jean Christophe Bott/AP
Jean Christophe Bott/AP

Presidente Thomas Bach recebe salário de R$ 2 mil por dia no COI

Comitê Olímpico Internacional mostra transparência e credibilidade

Jamil Chade - Correspondente em Genebra, O Estado de S. Paulo

08 de abril de 2015 | 11h02

O Comitê Olímpico Internacional decide, pela primeira vez, revelar os salários de seus dirigentes, num esforço para mostrar transparência e credibilidade. Segundo a entidade, seu presidente ganhará em 2015 um total de 225 mil euros, cerca de  R$ 765 mil. Se no COI a renda dos cartolas está sendo publicada, o mesmo não ocorre no COB ou no Comitê Rio-2016.

A cada membro do COI, um valor ainda de US$ 7 mil é garantido por ano para "apoio administrativo", além de uma indenização de US$ 900 por dia de trabalhos prestados à entidade, seja em Lausanne ou em missões pelo mundo. A esses valores ainda se soma todos os custos de viagens de classe executiva e hotéis cinco estrelas.

Oficialmente, os dirigentes do movimento olímpico são "voluntários". Mas Thomas Bach, o atual presidente, é considerado como tendo uma atuação permanente e, por dia, receberá R$ 2 mil.

A agenda de transparência foi aprovada no Rio de Janeiro, em fevereiro deste ano pelo Comitê Executivo do COI. Mas no que se refere aos organizadores brasileiros, não existe por enquanto qualquer tipo de movimento no mesmo sentido para revelar a renda do presidente do COB e do Comitê Rio-2016, Carlos Arthur Nuzman.

PRESSÃO

A decisão de divulgar os salários não ocorre por acaso. Os mega-eventos esportivos passaram a ser alvo de duras críticas e governos democráticos começaram a rejeitar candidaturas para lançar suas cidades para receber os torneios.

O COI, por exemplo, vive um dilema com a escolha dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022. Cinco países democráticos abandonaram a corrida, alegando que não estariam dispostos a pagar pelo evento. Em algumas das cidades que chegaram a concorrer - como Oslo - foi a população que rejeitou a candidatura em uma votação.

Agora, o COI ficou com apenas duas opções : o regime comunista chinês com Pequim ou o governo autoritário do Cazaquistão com a opção de Almaty.

Diante dessa situação, Bach lançou uma reforma do movimento olímpico na esperança de atrair de volta ao COI as sociedades democráticas, mas também evitar perder patrocínios milionários. Nesse contexto, a divulgação dos salários faz parte da reforma.  

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