Fábio Motta| Estadão
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Primeiro dia da Paralimpíada deixa ótima impressão

Atletas brasileiros conquistaram duas medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze. Na natação, Daniel Dias obtém seu 16º pódio

Constança Rezende e Marcio Dolzan, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2016 | 05h00

O Brasil deixou uma boa imagem no primeiro dia de disputas dos Jogos Paralímpicos do Rio-2016, conquistando duas medalhas de ouro e uma de prata. Pela manhã, Ricardo Costa Oliveira levou ouro no salto em distância na categoria T11 (cego total). Pouco antes, na primeira disputa do dia, Odair Santos ficou com a prata nos 5.000 metros da mesma categoria. À noite, foi a vez de Daniel Dias confirmar o seu favoritismo e vencer a prova dos 200 metros livre S5. Pouco tempo depois, Italo Pereira foi bronze nos 100 metros costas.

Maior medalhista paralímpico do País, Daniel Dias chegou ao seu 16.º pódio da história. Ele cruzou os 200 metros, prova em que é recordista mundial, em 2min27s88, com uma vantagem assombrosa: ele venceu a disputa com mais de 10 segundos de vantagem sobre o segundo colocado. Depois, Italo Pereira conquistou a quarta medalha para o Brasil ao chegar em terceiro nos 100 metros costas com o tempo de 1m13s48s

Pela manhã, o ouro conquistado por Ricardo Costa teve gostinho especial por se tratar da primeira medalha da carreira do atleta em competições internacionais. Até então, sua melhor marca havia sido um quarto lugar em Mundial. Apesar disso, ele entrou na disputa como um dos favoritos e inflamou o público que foi ao Engenhão.

A conquista, contudo, teve seu susto. Após queimar o primeiro salto, Costa atingiu a marca de 6,41 metros na segunda rodada e liderou a disputa até a quinta e penúltima série, quando o norte-americano Lex Gillette, que é o recordista mundial da prova, saltou 6,44. Em sua quinta tentativa, o brasileiro saltou um centímetro a menos que o líder.

“Eu estava brigando desde o começo e queria me garantir no primeiro salto, mas queimei. Aí fiquei mais pilhado e falei ‘agora não vou errar mais nenhum’, e fui pra cima.”

O saltador orientou seu técnico e o guia que o acompanha a nunca revelarem a marca necessária para vencer ou quem é o adversário a ser batido. “Eu só sabia que estava perdendo por um centímetro”, contou. Foi então que Ricardo Costa foi para seu último salto, atingindo 6,52 metros e conquistando o ouro.

Pouco antes, Odair Santos havia conquistado a primeira medalha brasileira nos Jogos do Rio, a prata na prova de 5.000 metros T11. Foi a oitava medalha de Odair em Jogos Paralímpicos, competição que ele disputa desde Atenas-2004.

Odair entrou na volta final na liderança. Foi quando o queniano Samwel Kimani conseguiu arrancar e vencer.

“Eu adotei a estratégia de dosar um pouco mais no início e tentar fechar um pouco mais forte. Infelizmente ele (Kimani) é atleta de 1.500 metros e um pouco mais veloz que eu, e acabou me surpreendendo no fim”, disse Odair. “Fico frustrado por não ter ganhado, mas também fico feliz por ter conquistado a medalha.”

Cego, ele competiu usando um óculos com a imagem das filhas Júlia, de 4 anos, e Milena, de 2, estampado nas lentes. “Minhas filhas correm comigo na lente e no coração. Eu quis fazer essa homenagem. Elas vieram me assistir aqui no estádio e com certeza elas têm parte nesta medalha”, disse.

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