Eugene Hoshiko/AP
Eugene Hoshiko/AP

Principal autoridade médica do governo do Japão defende discussão sobre Olimpíada

Japão enfrenta uma quarta onde de contágios, que levou o governo central a declarar um novo estado de emergência sanitária em Tóquio e em outras três regiões do país

Redação, Estadão Conteúdo

28 de abril de 2021 | 09h15

O responsável pelo painel governamental japonês de peritos sobre a pandemia do novo coronavírus defendeu nesta quarta-feira que as autoridades locais "devem discutir" a realização dos Jogos Olímpicos no próximo verão (hemisfério norte), face ao aumento de infecções pela covid-19. "Estamos chegando ao momento em que devemos discutir (a realização) do evento, tendo em conta a situação do aumento dos contágios e a pressão sobre o sistema de saúde, como fatores mais importantes", afirmou Shigeru Omi, em uma reunião do Comitê de Saúde do Parlamento japonês.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio-2020 foram adiados do ano passado para o período entre 23 de julho e 8 de agosto de 2021, devido à pandemia da covid-19, enquanto que os Jogos Paralímpicos foram reagendados para acontecer agora entre 24 de agosto e 5 de setembro. O Japão está enfrentando uma quarta onde de contágios, que levou o governo central a declarar um novo estado de emergência sanitária em Tóquio e em outras três regiões do país, as mais afetadas pelo recrudescimento de infecções e pela ocupação crescente dos leitos de cuidados intensivos para os pacientes em estados mais graves.

O apelo ao diálogo do principal assessor do Poder Executivo japonês sobre o assunto diverge da mensagem oficial do governo do primeiro ministro Yoshihide Suga e do Comitê Organizador de Tóquio-2020, que têm advogado a favor da realização do evento seja qual for a evolução pandêmica.

Shigeru Omi disse ainda que "será tarde" esperar pelas datas previstas para o início dos Jogos para tomar uma decisão sobre a declaração de um novo estado de emergência sanitário, ressaltando, no entanto, que a sua função passa por "pensar a situação da pandemia" e não "tomar uma decisão sobre os Jogos Olímpicos".

Nesse sentido, recomendou ao governo "que pense em vários fatores, tendo em conta a situação dos contágios e do sistema de saúde", realçando que "é responsabilidade do Comitê Organizador dos Jogos e dos outros responsáveis explicar aos cidadãos" a decisão que tomem. Na sexta-feira passada, as cidades de Tóquio, Kyoto, Osaka e Hyogo foram colocadas em estado de emergência até o dia 11 de maio devido ao aumento do número de infectados e ao aparecimento de novas variantes do SARS-CoV-2, o vírus que provoca a covid-19.

Desde o início da pandemia, este é o terceiro estado de emergência no Japão, que contabiliza um total de cerca de 577 mil infectados pelo novo coronavírus e mais de 10 mil mortes. O fim da presente situação coincide com a visita do alemão Thomas Bach, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), ao país.

Nesta quarta-feira, em uma reunião por videoconferência com os organizadores de Tóquio-2020, Bach declarou apoio ao vigente estado de emergência no país. "O COI está totalmente comprometido com as normas de segurança sanitárias que serão feitas para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos", disse o alemão em resposta a Seiko Hashimoto, presidente do Comitê Organizador.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.