Arquivo Pessoal/Gilberto Gaertner
Arquivo Pessoal/Gilberto Gaertner

Psicólogo diz que manter rotina é fundamental para atletas se afastarem da depressão na quarentena

Gilberto Gaertner alerta para a necessidade de foco e tentar, na medida do possível, seguir atividades feitas antes da pandemia de coronavírus

Daniel Batista, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2020 | 07h01

O mundo luta contra a pandemia do novo coronavírus. Um grupo que sofre com a paralisação de tudo é dos atletas de alto rendimento. Além da covid-19, essas pessoas enfrentam a decepção pessoal com o adiamento dos Jogos Olímpicos de Tóquio e também com a dificuldade que é manter o treinamento em nível elevado sem poder sair de casa. É o momento de trabalhar o lado psicológico, que tanto influencia nas grandes decisões. Especialista em Psicologia do Esporte e psicólogo da seleção brasileira de vôlei masculino na conquista da medalha de ouro no Rio, em 2016, Gilberto Gaertner alerta para a necessidade de manter a rotina para não entrar em depressão. 

"Um ponto fundamental neste momento é manter uma rotina diária de trabalho, com horários bem definidos. É preciso ter tempo para treinar, tempo para lazer, para a socialização virtual e para cuidar da própria saúde e da família", explica o psicólogo. Gaertner acredita que o atleta de alto rendimento precisa manter a concentração como se estivesse competindo caso não houvesse a paralisação. "Mas sempre com equilíbrio, para evitar um estresse acentuado, uma exaustão. Isso pode fazer com que a pessoa largue as coisas e entre em uma situação de desânimo, o que pode iniciar até casos depressivos", pondera.

O problema é que a maior parte desses atletas não possui uma estrutura completa para suas atividades em casa. O jeito é se adaptar e jamais diminuir o ritmo, afinal de contas, além da pressão em se manter bem fisicamente, os atletas sofrem, como o resto do mundo, de preocupações com sua saúde e de familiares que estejam no grupo de risco., como pais e mães, avôs e avós. 

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A paralisação pode causar uma ansiedade muito grande, por não conseguir fazer o quer e do jeito que quer
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Gilberto Gaertner, Especialista em Psicologia do Esporte e psicólogo da seleção brasileira de vôlei masculino na conquista da medalha de ouro no Rio, em 2016

"Isso (a paralisação) pode causar uma ansiedade muito grande, por não conseguir fazer o quer e do jeito que quer. O atleta pode desacelerar e mudar o ritmo, por entender que as dificuldades são muito intensas", explicou o psicólogo. Alguns atletas estão trabalhando mentalmente para chegar bem na Olimpíada em Tóquio, em 2021, como o ginasta Arthur Nory. Há também quem trabalha para estar em alto nível na disputa por vagas para os Jogos ou simplesmente ir bem nas competições que virão adiante, como os jogadores de futebol.

Esses competidores têm em suas rotinas diárias de dois a três períodos de treinos, com o auxílio de treinadores e pessoas do estafe. Até o descanso é calculado para eles. Alguns estavam de malas prontas para embarcar para o Japão, que conteceria em maio para a maioria. De repende, todos foram pegos de surpresa com a pandemia. Suas vidas mudaram. Treinos pararam de acontecer, torneios foram cancelados e até os Jogos Olímpícos mudaram de ano. Tudo isso desmotiva. Trabalhar a cabeça passou então a ser fundamental, na opinião do especialista.

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