Laszlo Balogh
Puskas foi o líder do time húngaro da década de 1950 Laszlo Balogh

Puskas foi o líder da máquina húngara de fazer gols

Time conquistou o ouro em Helsinque, em 1952

O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 07h00

O primeiro jogo da história da seleção húngara de futebol terminou com uma derrota por 5 a 0 para a Áustria, em Viena, em 12 de outubro de 1902. Quem viu o jogo não imaginava que a Hungria poderia formar um dos times mais espetaculares de todos os tempos 50 anos depois.

Liderados pelo genial Ferenc Puskas, Gyula Grosics, Jenő Buzánszky, Mihály Lantos, Nándor Hidegkuti, József Bozsik, Gyula Lóránt, Sándor Kocsis, Péter Palotás, József Zakariás, Zoltán Czibor, Jenõ Dalnoki, Imre Kovács, László Budai e Lajos Csordás formaram a melhor equipe olímpica de todos os tempos. Tratava-se de uma revolução física, tática e técnica no futebol.

Os adversários eram estudados de forma minuciosa, com a intenção de encontrar falhas a serem exploradas e as virtudes que precisavam ser contidas em campo. Uma inovação, que só foi copiada décadas depois pelos principais times, foi o pré-aquecimento já no campo de jogo, com a intenção de ambientar os jogadores com o clima da disputa a ser enfrentada em seguida.

Taticamente, a equipe apresentava um centroavante (Kocsis) mais recuado, que servia como pivô para a troca de passes rápida e intensa, ao mesmo tempo propiciava a penetração dos jogadores pelo meio da defesa adversária (Puskas e Hidekguti) e abriam espaço para as infiltrações pelas laterais (Budai e Czibor).

Sete dos 11 titulares eram jogadores da equipe do Honved (que significa “defesa da Pátria”), que servia como a melhor propaganda do governo comunista. Os atletas eram literalmente soldados do bloco soviético – quem não jogasse pelo time do Honved serviria como soldado na fronteira do país.

Puskas, o maior jogador húngaro de todos os tempos, era major. Cerebral, era dono de uma habilidade rara para dominar a bola, dar passes precisos e dribles curtos e secos, tinha um fortíssimo chute de pé esquerdo. Marcou 84 gols em 85 jogos pela seleção húngara. Na carreira, foram 512 gols em 528 partidas. Puskas fez grande sucesso pelo Real Madrid, equipe na qual atuou entre 1958 e 1966.

Inovadora e superior a seus adversários em todos os quesitos, a seleção da Hungria não teve adversários por quatro anos. Entre 14 de maio de 1950 e 4 de julho de 1954, a equipe somou 29 vitórias consecutivas, feito que só foi superado pela Argentina entre 1991 e 1993, com 31 jogos sem derrota.

Entre os quatro anos de invencibilidade, o time húngaro atingiu seu clímax nos Jogos Olímpicos de Helsinque-1952. Foram cinco vitórias em cinco jogos. Na fase preliminar, uma estreia nervosa e um triunfo apertado sobre a Romênia por 2 a 1. O placar de 3 a 0 diante da tradicional seleção italiana demonstrou que o entrosamento estava perto do ideal Turquia e Suécia foram massacradas: 7 a 1 e 6 a 0, respectivamente, nos jogos das quartas de final e semifinal.

Na decisão, o time se limitou a fazer o necessário e passou com um tranquilo 2 a 0 pela Iugoslávia para ganhar a inédita medalha de ouro, feito maior daquela seleção, que havia sido vice-campeã da Copa do Mundo de 1938, ao perder a decisão para a Itália por 4 a 2. Mas o excepcional time não parou por aí. Seguiu aniquilando todos aqueles que se colocavam a sua frente. Foi o caso da tradicional seleção da Inglaterra. Em 25 de novembro de 1953, tornou-se o primeiro selecionado de não origem britânica a vencer os ingleses na sua casa. Em pleno estádio de Wembley, os húngaros marcaram 6 a 3. No ano seguinte, a revanche em Budapeste foi humilhante: 7 a 1.

Os resultados elevavam a Hungria à condição de favorita para a Copa de 1954, na Suíça. E os companheiros de Puskas não decepcionaram. Enfiaram 9 a 0 na Coreia do Sul e 8 a 3 na poderosa Alemanha. O Brasil também não suportou e caiu por 4 a 2. Mesmo placar imposto na semifinal sobre os uruguaios, que defendiam a conquista do título no Brasil quatro anos antes.

Na decisão, os húngaros voltaram a encarar os alemães. Parecia que seria tão fácil quanto havia sido na primeira fase. Em oito minutos de jogo, 2 a 0 para a Hungria. Mas a injustiça, sempre presente no futebol, fez mais uma das suas e o título acabou ficando com os alemães, com uma virada espetacular: 3 a 2.

A Hungria voltou a ganhar a medalha de ouro nas olimpíada de 1964 e de 1968. Marcou 10 a 1 em El Salvador na Copa de 1982, na maior goleada já registrada em um Mundial. É um dos poucos times a ter um retrospecto favorável sobre a seleção brasileira: 3 vitórias, 2 derrotas e um empate. Mas jamais voltou a jogar como o time de Puskas.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Medalhas nos anos 20 justificam apelido de Celeste Olímpica

Uruguai conquistou ouro em 1924 e 1928

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 07h00

Ballesteros; Gestido, Mascheroni, Nasazzi e Scarone; Andrade e Fernandez; Dorado, Cea, Castro e Iriarte (Anselmo). Técnico: Alberto Suppici. Esta é a primeira grande equipe de futebol da história. Trata-se da seleção uruguaia, que foi bicampeã olímpica e campeã mundial. Por uma década, não houve um adversário que pudesse fazer frente à “Celeste Olímpica”, apelido que o esquadrão recebeu por causa das duas medalhas de ouro conquistadas na Olimpíada de Paris-1924 e Amsterdã-1928.

O técnico Alberto Suppici adotava uma postura bastante ofensiva, muito diferente dos sistemas da atualidade. Era o sistema 2-3-5. Mascheroni e Nasazzi eram os zagueiros, que praticamente não ultrapassavam a linha de meio-campo.

Gestido, Fernandez e Andrade eram o “motor” do time. Responsáveis pela marcação, atuavam no espaço entre as duas intermediárias, ajudando a proteção da dupla de zaga. Além disso, levavam a bola para o quinteto de ataque, formado por Dorado, Scarone, Castro, Cea e Iriarte.

Este time aliava muita técnica, conjunto e também uma raça, que se tornou a principal característica do futebol uruguaio. Ao mesmo tempo que tinha a classe de Andrade, o primeiro grande jogador negro da história do futebol, reunia a garra inesgotável de Fernandez, o “Brabo” no meio-campo. No ataque, o destaque ficava por conta de Cea, que ao lado de Scarone e Nasazzi, esteve em todas as conquistas da Celeste.

Na primeira conquista do ouro olímpico, em 1924, foram cinco vitórias em campos ingleses. Estreia inesquecível com 7 a 0 sobre a Iugoslávia. Depois somou 3 a 0 nos Estados Unidos; 5 a 1 nos anfitriões franceses; 2 a 1 na Holanda na semifinal e um 3 a 0 tranquilo na final sobre a Suíça.

Quatro anos depois, com a mesma base, outro ouro em Amsterdã. Os anfitriões foram superados por 2 a 0. Goleada por 4 a 1 na Alemanha e 3 a 2 diante da Itália. Na decisão, dois jogos com a rival Argentina: 1 a 1 e 2 a 1. Para completar a hegemonia, o título da Copa do Mundo de 1930, em casa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Neymar e Dunga têm segunda chance de buscar o ouro olímpico

Craque do Barcelona ficou com a prata em Londres

Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

31 de março de 2016 | 07h00

A medalha de ouro olímpica é a única conquista de grande relevância que falta à seleção brasileira de futebol. Dunga e Neymar vão ter a segunda chance de ter sucesso. O técnico fracassou na semifinal de Pequim-2008, ao ser derrotado pela Argentina e acabou com o bronze. O craque do Barcelona chegou à decisão, mas, surpreendentemente, foi derrotado pelo México na decisão do ouro. Agora, atuando em casa, nada que não for uma vitória no jogo final do Maracanã, em 20 de agosto, vai servir para não marcar negativamente a vitoriosa carreira de ambos.

O Brasil já esteve bem perto do primeiro lugar do pódio do futebol masculino. Grandes nomes tiveram a oportunidade, mas ficaram apenas no quase. Em Montreal-1976, Junior e Batista eram os líderes de um time que caiu na semifinal para a Polônia, por 2 a 0, e depois para a União Soviética, na disputa da medalha de bronze.

Em Los Angeles-1984, um time que teve como base o Internacional-RS foi prata, ao perder a final para a França. Quatro anos mais tarde e novo segundo lugar. Em Seul, Taffarel e Romário conseguiram uma vitória épica sobre a Alemanha na semifinal, mas não tiveram forças diante da União Soviética.

Em Atlanta-1996, um time de estrelas foi chamado, sob a batuta do experiente Zagallo. Dida, Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo Fenômeno tropeçaram no próprio ego e foram surpreendidos pela Nigéria na semifinal, com direito a morte súbita. Não houve festa pela goleada sobre Portugal, por 5 a 0, que valeu a conquista da medalha de bronze.

Vexame ocorreu em Sydney-2000. Nas quartas de final, uma equipe dirigida por Vanderlei Luxemburgo, com Ronaldinho Gaúcho, Alex, Lúcio e Roger foi eliminada no gol de ouro por Camarões, com dois jogadores a menos, após empate por 1 a 1 no tempo normal.

Em Atenas-2004, a seleção nem se classificou no Pré-Olímpico do Chile, o time do técnico Ricardo Gomes, que tinha como destaque Robinho e Diego, sucumbiu diante do Paraguai. A Olimpíada do Rio pode ser a última chance do futebol.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.