Athit Perawongmetha/Reuters
Athit Perawongmetha/Reuters

Queda da produção industrial na China vira dor de cabeça para os Jogos de Tóquio

Fabricação de itens como material esportivo, placas de sinalização e uniformes de equipes pode sofrer atrasos

Paulo Favero e Raphael Ramos, O Estado de S.Paulo

17 de março de 2020 | 10h01

Os impactos do coronavírus na economia chinesa se transformaram em dor de cabeça para os organizadores e as delegações participantes dos Jogos de Tóquio. Como a produção industrial da China despencou 13,5% nos dois primeiros meses do ano (período do auge de disseminação do vírus no país) em relação ao mesmo período do ano anterior, o temor é de que, mesmo com os sinais de retomada vindos dos asiáticos, a entrega de itens como material esportivo, placas de sinalização e uniformes de equipes seja afetada e possa sofrer atrasos.

O Comitê Olímpico do Brasil (COB), por exemplo, tem contrato com a marca chinesa Peak. A entidade garante que a fabricação do material esportivo está em produção e dentro do cronograma. Quando estiverem prontos, eles irão direto da China para o Japão. Mas essa paralisação de muitas fábricas na Ásia pode afetar gigantes do esporte como Nike e Adidas, que fornecem materiais, bolas, equipamentos e uniformes para muitas modalidades.

Procurada, a Adidas preferiu não comentar o assunto. Já a Nike não respondeu aos questionamentos até a publicação desta matéria. A empresa divulgou recentemente um comunicado explicando que suas lojas nos Estados Unidos, Canadá, Europa ocidental, Austrália e Nova Zelândia estão fechadas para evitar que o coronavírus se espalhe ainda mais. Já as bases no Japão, Coreia do Sul, muitos lugares da China e Brasil estão abertas.

As duas marcas esportivas já lançaram seus principais produtos para os Jogos Olímpicos e apostam na eficiência chinesa para ter o material pronto para estar em Tóquio. Mas a queda industrial na China causou apreensão para que a organização dos Jogos de Tóquio possa ser exemplar, como os japoneses esperam.

Em nota ao Estado, o Comitê Organizador dos Jogos negou atraso no recebimento de materiais. "Nenhum fornecedor nos informou quaisquer atrasos ou problemas. Os preparativos para os Jogos continuam como planejado. Continuaremos a monitorar cuidadosamente a situação e também permaneceremos em estreita colaboração com todas as organizações relevantes."

Nesta terça-feira, haverá uma teleconferência do Comitê Executivo do COI (Comitê Olímpico Internacional) para preparar a agenda para outras chamadas que vão ocorrer no mesmo dia com presidentes das federações esportivas internacionais e no dia seguinte, quarta-feira, com comitês olímpicos nacionais e representantes dos atletas. Desde que o coronavírus começou a afetar os eventos esportivos, a entidade tem feito essas teleconferências para aumentar a frequência de troca de informações e resolver problemas. Segundo o COI, esse é um dos principais desafios do momento.

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