Anthony Anex|AP
Presidente do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio-2016, Carlos Nuzman exibe a tocha olímpica durante cerimônia no Museu Olímpico, em Lausanne, na Suíça Anthony Anex|AP

Quem quiser ficar com a tocha tem de pagar R$ 2 mil

Comitê Rio-2016 cobra de participantes do revezamento olímpico; patrocinadores vão presentear convidados

Jamil Chade e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2016 | 17h00

Boa parte das 12 mil pessoas que vão carregar a tocha olímpica pelo Brasil, no revezamento que começa na terça-feira, não vão conseguir ficar com o símbolo dos Jogos como lembrança. Para subsidiar o custo de produção, está sendo cobrado R$ 1.985,19 por cada tocha. Alguns patrocinadores já avisaram que vão presentear seus convidados com ela, mas muita gente terá de gastar para levar o souvenir como lembrança.

A cobrança já ocorreu em outras edições da Olimpíada, mas o que chama atenção é o alto preço da versão brasileira. A tocha é fabricada na Recam Làser S. L., da Espanha, que também fez o símbolo dos Jogos de Barcelona, em 1992. É uma indústria de médio porte, que ganhou uma concorrência por ter experiência no assunto e bom preço.

Em uma fábrica desse porte, um molde para fazer uma peça de resina pode chegar a R$ 200 mil. Multiplique esse valor por dezenas de moldes e chega-se a um número milionário para confeccionar as tochas. Por isso, o Comitê Rio-2016 optou por cobrar por cada unidade, a fim de subsidiar todos os custos de fabricação. Para o COI (Comitê Olímpico Internacional) não existe problema na cobrança e a entidade não interfere no processo, que é sempre de responsabilidade do Comitê Organizador Local dos Jogos. A explicação é que essa é uma prática autorizada e que cabe a cada comitê decidir como proceder. Nenhuma taxa vai para o COI e a entidade também não estabelece regras para os preços.

Nos Jogos de Londres em 2012, por exemplo, os valores cobrados eram de 495 libras esterlinas, o equivalente hoje a R$ 2,5 mil. O que o COI não permite é o comércio das vagas para levar a tocha. Em 2012, alguns casos foram descobertos de pessoas que, depois de receberem o convite para carregar o símbolo olímpico, tentaram lucrar vendendo seu lugar.

*INFOGRÁFICO - Fique por dentro da tocha do Rio-2016

Como está trabalhando com o orçamento apertado, o Comitê Rio-2016 não vai presentear seus convidados com as tochas, ou seja, quem carregar o símbolo olímpico a convite do comitê terá de pagar se quiser ficar com a tocha como lembrança. Isso vale também para muitos convidados de prefeituras e de comitês olímpicos internacionais que estarão no revezamento. Os convidados do Bradesco (1.718 pessoas) e da Coca-Cola (2.400) vão poder levar a tocha de presente para casa. Já a Nissan, que terá 1.770 pessoas no revezamento, ainda está definindo como fará.

“Desde quando foi lançado o layout da tocha, que tem esse mecanismo que abre, a gente já tinha uma ideia do custo. A gente tem um plano de comunicação com os nossos condutores e vamos presentear todos com a tocha, isso estava previsto no nosso planejamento. É super relevante, é emocional. A tocha queimada vale mais que a nova, a gente sempre brinca com isso”, diz Fabio Dragone, superintendente executivo de marketing do Bradesco e responsável pelo projeto olímpico.

A Coca-Cola também avisou todos seus condutores que vai bancar os custos da compra das tochas. “A Coca-Cola desenvolve há alguns anos um programa de relacionamento com os seus condutores, com uma forma de prover uma experiência que não dure apenas cinco minutos. Por isso, presenteamos cada um dos nossos 2.400 condutores com esse símbolo único que é a Tocha Olímpica Rio 2016.”

Encontrou algum erro? Entre em contato

‘Conceito comunica ao mundo nossa essência como nação’

Designer apresenta as novidades da tocha e fala sobre o processo de confecção do objeto que traz a essência do País

Entrevista com

Gustavo Chelles

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2016 | 17h00

Pela primeira vez uma tocha olímpica se movimenta. A inovação foi concebida para os Jogos do Rio por Gustavo Chelles, que nesta entrevista ele conta como foi o trabalho.

Quanto tempo levou o processo de criação da tocha olímpica?

O processo de criação por parte da equipe da Chelles & Hayashi Design levou oito semanas, e consistiu em pesquisa, criação de conceitos de design, detalhamento técnico, impressão 3D em escala 1:1 da proposta e confecção do material de apresentação do projeto. Em seguida, a fase de viabilização técnica englobou engenharia, protótipos, testes e produção tomou aproximadamente 12 meses, com a participação também dos times de Design, Marca e Revezamento da Rio-2016, e do time montado pela Recam, fabricante da tocha localizado na Espanha.

Como surgiu a ideia?

A tocha é o suporte da Chama Sagrada, símbolo da energia dos Jogos e conexão com os princípios históricos que juntam pessoas de todo o mundo para celebrar a Excelência, Respeito, Amizade (três pilares do Movimento Olímpico), Inspiração, Igualdade, Coragem e Determinação (quatro pilares do Movimento Paralímpico). A Marca da Rio-2016 também tem seus pilares de inspiração: Diversidade Harmônica, Energia Contagiante, Natureza Exuberante e Espírito Olímpico. Tudo isso representou o ponto de partida para a criação do conceito da tocha, que deveria além de prover um suporte adequado para a chama, inspirar as pessoas e comunicar ao mundo o que somos, qual o nosso potencial e nossa essência como nação.

Quais as novidades dela?

De forma inovadora em relação a Jogos anteriores, essa tocha traz de forma mais evidente a essência do país-sede e sua gente: nossa simplicidade exterior e a riqueza interior, revelada na abertura dos segmentos. Os cortes são vibrantes como nossa energia, expressam a organicidade de nossa natureza e de nossa gente, o movimento de abertura para o alto simboliza superação e transcendência. A tocha dos Jogos Rio-2016 é a primeira a propor um movimento mecânico real para enfatizar seu simbolismo, e esperamos que mais coisas bacanas possam vir, tornando a nossa tocha inesquecível.

Quais itens de segurança existem para evitar acidentes?

Entre outras coisas, a tocha vem com uma trava de segurança para abertura de gás, que só é liberada pela equipe do revezamento na hora H. Em segundo lugar, a região onde o condutor pega a tocha é bem definida pelo acinturamento da forma. Ela fica bem longe da área quente, e os cortes, além da função estética, impedem a condução de calor de cima para baixo.

Tudo o que sabemos sobre:
Jogos OlímpicosOlimpíada

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.