Seth Wenig / AP
Seth Wenig / AP

'Queridinha' da torcida japonesa, Naomi Osaka faz japoneses quebrarem protocolo para reverenciá-la

Tenista estreou nos Jogos de Tóquio com fácil vitória diante da chinesa Zheng Saisai e vê caminho livre para o ouro

Raphael Ramos / Enviado especial a Tóquio, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2021 | 15h00

Pense em uma atleta com o moral elevado no Japão. Essa é a tenista Naomi Osaka, 23 anos. Ela está tão em alta no país-sede dos Jogos Olímpicos que a sua estreia foi adiada para que pudesse acender a pira olímpica na cerimônia de abertura e tivesse um dia de descanso.

Neste domingo, mais do que a fácil vitória sobre a chinesa Zheng Saisai em sua estreia nos Jogos, chamou atenção a idolatria a Osaka. Sem público nas arquibancadas, ela era aplaudida a cada boa jogada por jornalistas, funcionários, voluntários e até membros da delegação rival.

Tenista número 2 do ranking mundial, ela mora nos Estados Unidos desde a infância – inclusive comemora os seus pontos com gritos em inglês de “come on” (vamos!) –, mas ainda assim tem forte identificação com os torcedores locais após superar críticas de que não seria “suficientemente japonesa” para representar o país. Osaka é a "queridinha" da torcida japonesa e faz muito sucesso também devido a sua postura combativa e transparente. Filha de pai haitiano e mãe japonesa, foi a primeira japonesa a conquistar um Grand Slam, em 2018. Depois, ainda faturaria mais três troféus.

A partida deste domingo foi a primeira de Osaka depois de dois meses parada. A tenista não jogava desde Roland Garros, em maio, quando abandonou o Grand Slam francês após ser multada por não participar da entrevista obrigatória no regulamento. Osaka expôs que sofria de ansiedade e depressão e, por isso, precisava cuidar da sua saúde mental, jogando luz em um tema que ainda é tabu para muitos atletas.

Por isso, o seu retorno às quadras não foi tão fácil. A própria Osaka admitiu que estava bastante nervosa neste domingo. Mas, soube superar a falta de ritmo e também voltou a encarar os jornalistas pela primeira vez ao dar entrevista para comentar a sua atuação no jogo. Somente dentro da quadra da Ariake Arena foram três entrevistas em sequência.

“Mais do que tudo, estou apenas focada em jogar tênis. Jogar a Olimpíada é um sonho desde a infância, então sinto que a pausa que fiz foi muito necessária. Agora, me sinto definitivamente revigorada e feliz novamente”, disse com um largo sorriso.

A estreia nos Jogos também foi especial para Osaka porque havia cerca de dois anos que ele não disputava uma partida em solo japonês. Nem mesmo o sufocante calor que tem sido motivo de reclamação de muitos jogadores em Tóquio a incomodou. “É uma sensação boa para mim. Amo estar aqui e, na verdade, gosto muito do clima”, disse ela.

Após o jogo, japoneses quebraram o protocolo, abriram mão do distanciamento social e se aglomeram na entrada do túnel que dava acesso aos vestiários. Tudo para reverenciar a tenista com aplausos e o tradicional “ojigi”, gesto de curvar o tronco e abaixar a cabeça em respeito ao outro.

Assim, Osaka saiu da condição de forte candidata à medalha de ouro para super favorita. Se antes o caminho estava mais fácil devido às ausências da romena Simona Halep e das norte-americanas Serena e Venus Williams e Coco Gauff, ficou ainda mais livre neste domingo com a eliminação precoce da número um do mundo, a australiana Ashleigh Barty, que caiu logo na estreia diante da espanhola Sara Sorribes.

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