Wander Roberto/COB
Wander Roberto/COB

Em sua última apresentação, Rebeca termina em 5º lugar na final do solo nos Jogos de Tóquio

Ginasta pisa fora do tablado e não consegue manter o nível das demais concorrentes e se despede da Olimpíada

Raphael Ramos, enviado especial/TÓQUIO, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2021 | 07h20

A espetacular participação da ginasta Rebeca Andrade nos Jogos Olímpicos de Tóquio terminou nesta segunda-feira com um quinto lugar na final do solo. Ao contrário das suas outras ótimas apresentações no Japão que lhe renderam um ouro e uma prata no salto e no individual geral, respectivamente, nesta segunda-feira a brasileira não esteve tão bem e ficou de fora do pódio.

Mas, o que ela já tinha feito anteriormente nesta Olimpíada ficou para a história. Aos 22 anos, Rebeca é a primeira mulher do Brasil a ganhar mais de uma medalha na mesma edição dos Jogos Olímpicos.

Em sua apresentação no solo nesta segunda-feira, a ginasta mais uma vez levou o seu "Baile de Favela" aos jurados. Porém, logo na primeira acrobacia, aterrissou com um pé fora do tablado, o que acabou lhe rendendo uma punição. Depois, ela executou os movimentos de maneira sólida e segura e cravou o restante da série. Mas, em uma prova em que as adversárias beiraram a perfeição, qualquer vacilo poderia ser fatal. Assim, Rebeca ficou com a nota 14,033. Bem abaixo da norte-americana Jade Carey, medalha de ouro com 14,366. Ela confirmou o seu favoritismo com uma bela apresentação, bem cravada.

“Estou muito feliz, muito grata com todas as apresentações desde o primeiro dia e por ter finalizado tão bem agora com o solo. Ter levado mais alegria ainda para o Brasil, para todas as pessoas que torceram por mim, que acreditaram no meu talento, as que me conheceram agora também. Repercutiu tanto e inspirou tantas pessoas, que não tem outra coisa que não seja gratidão”, disse a brasileira em entrevista à TV Globo.  “Teve o Baile de Favela, que muita gente gostou. É a cultura brasileira, muita gente se inspira e foi o que eu quis trazer pra cá. Para mim é um prazer eu ser a representante do funk para o mundo", completou. 

Mesmo com a ausência da estrela norte-americana Simone Biles, que tem optado por ficar de fora de algumas finais em Tóquio para cuidar da sua saúde mental, o nível da final do solo nesta segunda-feira foi muito elevado. A prata ficou com a italiana Vanessa Ferrari, que, após o seu solo maravilhoso, recebeu nota 14,200. Já o bronze foi dividido entre a japonesa Mai Murakami e Angelina Melnikova, do Comitê Olímpico Russo (ROC), ambas com 14.166.

Rebeca encerra a sua participação nos Jogos de Tóquio como a maior ginasta do País na atualidade. Também deixa como marca o poder de superação em uma carreira curta ainda, mas prejudicada por lesões. Ela já foi submetida a três cirurgias no ligamento cruzado anterior no joelho direito. 

“Eu me senti incrível. Não me senti pressionada para nada, para ganhar uma medalha para o Brasil, para acertar tudo. Foi uma coisa muito natural, que só fluía. O fato de eu pensar assim me ajudou muito a ter os bons resultados que tive aqui. Estou extremamente satisfeita com a minha performance em todos os aparelhos."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.