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Relembre personalidades que já acenderam a pira olímpica

Muhammad Ali e Li Ning já tiveram a honra de 'abrir' os Jogos

O Estado de S. Paulo

26 de maio de 2016 | 07h00

O acendimento da pira olímpica é um dos momentos mais aguardados dos Jogos Olímpicos. Por esta razão, a identidade da personalidade escolhida é guardada a sete chaves até o momento decisivo.

Em Atlanta-1996, combalido pelo Mal de Parkinson, o ex-boxeador Muhammad Ali acendeu a tocha olímpica, em uma das cenas mais emocionantes de todos os tempos.

“Eu fiquei muito nervoso e minha tremedeira aumentou ainda mais. Talvez tenha sido um dos momentos mais difíceis de minha vida, pois não sabia se iria conseguir completar a minha missão”, disse o medalhista de ouro nos Jogos de Roma, em 1960, na categoria dos meio-pesados e que se tornou um dos maiores atletas de todos os tempos, ao conquistar três títulos mundiais no profissionalismo entre os pesos pesados, a principal categoria do pugilismo.

Em Londres-2012, sete jovens atletas – Callum Airlie, Jordan Duckitt, Desiree Henry, Katie Kirk, Cameron MacRitchie, Aidan Reynolds, Adelle Tracey e Austin Playfoot foram incumbidos de acenderem a pira.

Em Pequim-2008, o personagem foi o ginasta chinês Li Ning, ganhador de seis medalhas nos Jogos Olímpicos de Los Angeles-1984 – três ouros, duas pratas e um bronze. 

Li Ning correu pelas paredes do estádio “Ninho de Pássaro”, preso a cabos de aço, para acender uma espécie de pavio, que levou o fogo à estrutura colocada numa armação de ferro.

Além de ser um dos maiores ginastas da história da modalidade, Li Ning se transformou em um empresário de sucesso, ao fabricar e vender equipamentos para a prática de esporte.

 

Em Barcelona-1992, a honra de acender a tocha ficou com o arqueiro paralímpico Antonio Rebollo, ganhador de duas medalhas de prata e uma de bronze nos Jogos de 1984, 1988 e 1992. O arqueiro lançou o fogo, mas imagens amadoras posteriores ao evento mostraram que ele errou o alvo e a pira acabou sendo acesa automaticamente.

O fato não diminuiu a grandiosidade do evento e esta cerimônia de abertura também e apontada como uma das mais belas dos Jogos Olímpicos.

A utilização de pombos, simbolizando a paz entre as nações participantes dos Jogos , foi constantemente usada na abertura dos Jogos, mas acabou deixada de lado a partir de Seul-1988, quando vários pássaros foram queimados na plataforma da pira olímpica.

 

Em Moscou-1980, os russos emocionaram o mundo com o choro do ursinho Micha, formado por placas seguradas por jovens, que formaram painéis na cerimônia de encerramento. Na abertura, Sergei Belov, um campeão olímpico do basquete masculino, em Munique-1972, carregou a tocha por sobre as placas para chegar à pira olímpica.

Belov foi um dos líderes do time que derrotou os Estados Unidos na disputa da medalha de ouro em uma das partidas mais emocionantes de todos os tempos. A cesta russa, que definiu a espetacular vitória, por 51 a 50, foi anotada no último segundo de partida. 

Se na Rússia o esforço humano foi o destaque na cerimônia de abertura, quatro anos mais tarde em Los Angeles, os norte-americanos concentraram suas forças na tecnologia, que causou um momento de grande perplexidade com a entrada no estádio de um “homem-foguete”. 

 

Pouco antes, o estádio se emocionou com a entrada no “Colyseum” de Marlene Dortch, neta do mítico Jesse Owens – ganhador de quatro medalhas de ouro na Olimpíada de Berlim, em 1936 – , carregando a chama olímpica. A honra para acender a pira olímpica ficou para Rafer Johnson, um decatleta que foi campeão olímpico nos Jogos de Roma-1960. 

CASAL

Os canadenses inovaram em Montreal (1976), ao colocar um casal com a honra de acender a pira: Sandra Henderson e Stephane Prefontaine, dois jovens atletas. Chegaram a noticiar o casamento dos dois anos depois, mas jamais foi confirmado pela dupla.

Nos Jogos de Munique-1972, o escolhido para carregar a tocha até a pira foi Günter Zahn, de 18 anos, que teve sua carreira marcada pela versatilidade nas provas disputadas. Foi corredor de 1.500 metros, 3 mi, 5mil e até maratona. O detalhe de sua participação na abertura da olimpíada foi o fato de duas marcas esportivas alemãs disputarem seu uniforme. Sem chegar a um acordo, o atleta vestiu uma roupa sem nenhum patrocínio.

No México, em 1968, Enriqueta Basílio tornou a primeira mulher a acender a pira olímpica. Ela era a principal velocista mexicana da época, que chegou a participar dos Jogos, mas foi eliminada nas eliminatórias.

Em 1964, Yoshinori Sakai foi escolhido para simbolizar a reconstrução e da paz pós-guerra do Japão. Aos 19 anos, Sakai nascera em 6 de agosto de 1945, exatamente no dia do bombardeio atômico em Hiroshima, na Segunda Guerra Mundial. Ele fazia parte da equipe de atletismo da Universidade de Waseda, mas nunca teve um desempenho olímpico. Se formou em jornalismo e trabalhou com esportes na Fuji Television.

 

Os italianos, nos Jogos de Roma, em 1960, preferiram dar a oportunidade a Giancarlo Peris, um anônimo corredor, que havia conquistado uma vitória durante os Jogos Escolares na capital italiana.

Ron Clark, de 19 anos, foi o atleta escolhido pela Austrália nos Jogos de Melbourne, em 1956. Oito anos depois, o atleta dos 10 mil metros ganhou a medalha de bronze em Tóquio. Foi prefeito de Gold Coast.

Em 1952, os finlandeses homenagearam um dos seus principais atletas, ao colocar Hannes Kolehmainem, representante do grupo de "finlandeses voadores", junto com seu pupilo Paavo Nurmi para acender a pira.

O inglês John Mark teve a oportunidade nos Jogos de 1948, mas não teve sucesso em sua carreira esportiva. Assim como o alemão Fritz Schilgen, que apesar dos três títulos nacionais nos 1.500 metros, jamais disputou os Jogos Olímpicos.

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